Barrichello faz desabafo em Zeltweg
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quinta-feira, 13 de julho de 2000
Agência Folha De Zeltweg, Áustria 
Na véspera de iniciar a segunda metade de sua temporada de estréia pela Ferrari, Rubens Barrichello, ontem, decidiu desabafar. Em Zeltweg, circuito que recebe hoje o primeiro treino livre para o GP da Áustria, o brasileiro declarou que nunca se sentiu injustiçado pela escuderia italiana.
Barrichello voltou a afirmar que obedeceu ordens dos boxes de sua equipe nas duas últimas provas, mas emendou: Não sou um cachorrinho, que anda com uma coleira e que é obrigado a fazer isso ou aquilo.
Nesse momento, o jogo da escuderia é para o Michael Schumacher, o que é bastante compreensível, declarou Barrichello.
A postura do ferrarista se deve basicamente a dois motivos. O primeiro foi seu período de descanso no Brasil, na semana passada, quando leu e ouviu algumas ressalvas ao seu desempenho nas últimas provas.
O segundo, as críticas que a Ferrari vem recebendo de parte da imprensa italiana depois do abandono de Schumacher na França, há duas semanas.
Some-se a isso a experiência de Barrichello após meia temporada na equipe e o resultado é um desabafo, discurso que destoa radicalmente com o apresentado pelo brasileiro nos últimos meses.
À época em que foi contratado pela equipe, em setembro do ano passado, chegou a declarar que correr pela Ferrari era a grande chance de sua vida. Se guiando uma Ferrari, não ganhar uma corrida, não vou ganhar mais nada, disse na ocasião.
Na sua apresentação oficial, em dezembro, declarou que seria o piloto 1-B do time. E, às vésperas do GP Brasil, em março, afirmou que seu principal objetivo era disputar o título da temporada.
Hoje, após nove das 17 etapas do calendário, a situação é bem diferente para o brasileiro. Barrichello é o único piloto das equipes de ponta que ainda não venceu e ocupa o quarto lugar na classificação, 24 pontos atrás do alemão Schumacher, líder.
Apesar disso, o piloto brasileiro nega estar enfrentando dificuldades na Ferrari. Talvez fruto de outra de suas experiências na primeira metade do campeonato: a bronca que levou de Luca di Montezemolo, presidente ferrarista, após as críticas que fez ao time em Nurburgring, na Alemanha.
Existem momentos muito duros na F-1, mas o momento que vivo agora não é difícil. Na França, por exemplo, a equipe não mandou eu ir para trás. Só me pediu para manter uma distância para o Schumacher, disse Barrichello. É um jogo de equipe, normal a essa altura do campeonato, completou.
Em nove corridas pela Ferrari, o brasileiro conseguiu subir ao pódio cinco vezes -quatro delas nos últimos cinco GPs. Em três oportunidades, ficou em segundo lugar: na Austrália, em Mônaco e no Canadá.
Já Schumacher foi seis vezes ao pódio na temporada. Foi o vencedor da corrida em cinco delas. Apesar da boa fase do alemão, os italianos estão preocupados com a baixa resistência do F1-2000, o carro da equipe italiana.
Tanto Barrichello como Schumacher já abandonaram duas provas cada um devido a quebras mecânicas.


