Monza, 08 (AE) - Rubens Barrichello não escondeu, hoje na Inglaterra, sua ansiedade com relação ao GP da Itália, domingo em Monza. "Estou louco para ver como vai ser quando deixar os boxes com a minha Stewart, acho que a torcida vai pensar que eu já estou na Ferrari", disse. Amanhã, já no veloz circuito italiano, ele concede sua primeira entrevista coletiva como o novo companheiro de Michael Schumacher, a partir da próxima temporada.
Curiosamente, nem o piloto ou a direção da Ferrari programou qualquer encontro específico com a imprensa. Rubinho estará sentado ao lado de David Coulthard, da McLaren, Alessandro Zanardi, Williams, Gabriele Rumi, sócio da Minardi, e Corrado Provera, diretor da Peugeot, os convocados pela organização da prova para a coletiva. "Vai ser um ótimo exercício", comentou o piloto da Stewart, referindo-se ao fato de que terá, depois, de atender a todos os veículos de comunicação individualmente.
As pressões a que estará submetido já a partir de sexta-feira, quando começam os treinos livres para a 13ª etapa do campeonato, são, na realidade, um simulado do que será sua vida na Ferrari. "Quero ver o que me aguarda, alegria ou problemas." Nos últimos dias Rubinho não tem conversado com Michael Schumacher, como fazia até a Ferrari anunciar a sua contratação, sábado. Ele evitou comentar as declarações mais recentes do alemão. Schumacher lembrou que no tempo em que Rubinho e Eddie Irvine corriam juntos na Jordan, 1994 e 1995,o norte-irlandês mostrou-se mais veloz.
"É cedo para fazer politicagem, não quero falar sobre isso, ele vai me conhecer quando eu sentar num carro igual ao seu", afirmou o brasileiro. Rubinho se esquivou também de responder a uma reportagem publicada na edição de hoje do Tuttosport, diário esportivo de Turim, cidade sede da Fiat, proprietária da Ferrari.
Segundo o texto, o contrato de Schumacher lhe garante o uso do carro reserva em todas as corridas. "Não tenho a menor idéia de como ficará essa questão, mas penso que teremos igualdade de tratamento", falou Rubinho. Sobre suas chances no GP da Itália, comentou que a Jordan e a Williams deverão ser adversários mais fortes da Stewart. "Eles andaram muito bem nos testes da semana passada." A meta de largar entre os seis primeiros será mais difícil de ser atingida, de acordo com Rubinho.
SCHUMACHER - A influente revista semanal italiana Autosprint publicou uma reportagem, na edição que chegou às bancas terça-feira, questionando "as dores" sentidas pelo piloto da Ferrari no teste de Monza, semana passada, e que o afastaram das duas próximas etapas do Mundial, Itália e Europa, dia 26. Segundo o texto, que no fundo expressa boa parte do pensamento dos italianos, como explicar que Schumacher tenha realizado teste tão positivo, em Mugello, antes do GP da Bélgica e, de repente, sua recuperação ande para trás.
A Autosprint questiona também como compreender que o alemão tenha até mesmo praticado mountain bike, na França, e não possa agora voltar a pilotar um carro de Fórmula 1. "Pode ser que quando ele retornar à competição, na Malásia e no Japão, o campeonato esteja já definido em favor de Mika Hakkinen, o seu atual líder, e sua contribuição à Ferrari não seja mais necessária", publica o semanário.
A reportagem, assinada pelo respeitado jornalista Alberto Antonini, diz ter ouvido médicos ortopedistas que comprovaram sua incompreensão com respeito "à súbita regressão do estado físico de Schumacher, em relação ao teste de Mugello, há quase um mês. O texto nem mesmo sugere, mas muitos italianos acreditam que Schumacher está adiando sua volta para não auxiliar Eddie Irvine, seu companheiro na Ferrari, vice-líder do Mundial, um ponto atrás de Hakkinen, ser campeão do mundo.

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