São Paulo, 04 (AE) - Enquanto alguns milhões de torcedores vibravam, hoje, com a oficialização de Rubens Barrichello na equipe Ferrari, o piloto preparava, sozinho, o próprio almoço em sua residência, em Cambridge, Inglaterra. "Aguarde um pouco, por favor, vou coar o macarrão", solicitou ao repórter, que o procurava por telefone. Mais tarde, além de elogiar sua própria comida, disse não ver a hora de devolver ao País aquilo que sempre teve na Fórmula 1: as vitórias.
O anúncio não foi seguido de festa, abraços, comemorações, como seria lógico supor. Afinal, Rubinho será o primeiro brasileiro a pilotar para a equipe mais desejada da Fórmula 1, a mítica Ferrari. "Não estou muito ansioso, esses anos todos de dificuldades me ensinaram a ser mais profissional". afirmou. "Minha cabeça ainda está nas próximas corridas, onde vou tentar ajudar a Stewart conquistar a quinta colocação no campeonato." Mas será que não há espaços para a emoção?
"Correr pela Ferrari é a realização de um sonho, claro
é sensacional, mas acho que vou ficar contente mesmo quando vencer." Tendo já disputado 109 GPs, nenhum por uma equipe de ponta, tudo o que Rubinho deseja agora é verificar até onde pode ir na Fórmula 1. "O momento é de provar o quão bom eu mesmo sou
até seu quero saber", contou, referindo-se ao fato de seu companheiro ser ninguém menos de Michael Schumacher. "Vou estar ao lado do melhor do mundo." De novo sua autoconfiança se manifesta. "Vou para a Ferrari na esperança de surpreender e tenho fé que conseguirei." Desde que assinou o compromisso com a equipe, há pouco tempo, Rubinho tem mantido contato permanente com Schumacher. "Conversamos bastante por telefone", disse.
"Ele me parece ser uma pessoa bem diferente da que imaginava até conhecê-lo", comentou. "Acho que o Schumacher passa uma imagem distinta da sua realidade, posso apostar que é um homem de bom coração." A imprensa internacional, em contrapartida, já publicou que Rubinho viverá tempos difíceis com o piloto alemão, profissional que deseja tudo para si. "Eu sempre cavei meu espaço, cheguei como número dois na Jordan e depois cresci lá dentro." O mais importante é que seu contrato com a Ferrari lhe dá liberdade para buscar esse reconhecimento, esse espaço, o que não é o caso de Eddie Irvine, lembra o atual piloto da Stewart.
A experiência de seis anos e meio de Fórmula 1 lhe mostrou de forma clara: "Se eu ficar pensando no Schumacher estou danado, não vou fazer o meu trabalho." Quando Rubinho e Eddie Irvine dividiram a Jordan, em 1994 e 1995, esse foi o seu maior erro. "Minha preocupação era ser mais rápido que ele, só isso, claro que não iria funcionar." Nessa época, caiu em desgraça na opinião pública brasileira, dando origem a personagens jocosos, como "Rubinho pé de chinelo".
"Sei que quando alinhar com minha Ferrari no grid do GP do Brasil, em Interlagos, estarei sentindo aquele calor todo da torcida." A hora é de dar sequência ao resgate da confiança perdida, já iniciado nesta temporada, com atuações memoráveis pela Stewart. "Se Deus quiser vou devolver ao País as vitórias na Fórmula 1." O prato do dia? "Fettucine com molho vermelho e camarão, receita própria."

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