Barrichello é nota 100
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domingo, 23 de agosto de 2009
Tatiana Cunha<br> Folhapress 
Valencia - Macacão aberto, mão direita no peito. Depois de exatos quatro anos, dez meses e 29 dias, 84 GPs, Rubens Barrichello voltou a subir no mais alto degrau do pódio, ontem, em Valencia.
Ao ouvir o hino nacional pela décima vez em 17 temporadas na F-1, porém, um piloto diferente, mais contido - mesmo tendo mantido sua ''sambadinha'' - ao festejar uma vitória carregada de simbolismos.
''É até meio triste falar isso, mas a vitória foi uma coisa normal'', disse ele, sempre emotivo e que nunca mediu palavras após suas vitórias. A gritaria no rádio ao cruzar a linha de chegada e ouvir os cumprimentos de Ross Brawn foi a ''maior extravagância'' que se permitiu após uma corrida perfeita.
''Estou com o sentimento de um piloto que lutou, lutou e chegou lá. A única diferença desta vitória é que ela vem depois de tanto tempo, de ter passado por altos e baixos, de ter quase vencido, de ter tido um companheiro ganhando e eu não'', enumerou ele, que com o resultado reassumiu a vice-liderança do Mundial - Lewis Hamilton, da McLaren, e Kimi Raikkonen, da Ferrari, completaram o pódio na Espanha.
''O resultado me dá um impulso a mais, mas sem tirar o pé do chão. Claro que é melhor estar agora 18 pontos atrás do que 26, mas não vai ser fácil.''
Mas além de diminuir a desvantagem para Jenson Button na classificação, o triunfo de Barrichello colocou fim ao jejum que durava desde o GP da China de 2004 - apenas Bruce McLaren, que venceu em 1962 e depois em 1968 passou por um hiato tão grande entre uma vitória e outra na categoria.
A conquista no GP da Europa ontem foi ainda a primeira desde que Barrichello deixou a Ferrari, no fim de 2005, e consequentemente foi sua primeira pela Brawn GP, ex-Honda.
A última vez que um piloto brasileiro havia vencido um GP sem estar a bordo de um carro da escuderia italiana havia sido Ayrton Senna, pela McLaren, no GP da Austrália de 1993.
Único representante do Brasil no grid em Valencia por conta do acidente com Felipe Massa na Hungria e da demissão de Nelsinho Piquet pela Renault, coube ainda a Barrichello a satisfação de conquistar a centésima vitória do país na F-1.
Triunfo que veio 39 anos depois de Emerson Fittipaldi ter entrado para a história, em Watkins Glen, nos Estados Unidos, como o primeiro a vencer uma etapa da principal categoria do automobilismo. ''Sou muito brasileiro, amo realmente o Brasil e foi muito emocionante'', disse Barrichello. ''Claro que depois de cinco anos sem vencer a pressão acaba ficando ruim, mas hoje jogo tudo pra fora e agora estou livre pra tentar vencer as seis provas que faltam pro fim do campeonato'', completou.


