Barrichello diz que será o piloto '1B'
Agência Estado
De Monza, na Itália
Há muito tempo a contratação de um piloto por uma equipe de Fórmula 1 não gerava tanto interesse da imprensa estrangeira como a de Rubens Barrichello pela Ferrari. Ontem, no circuito de Monza, onde hoje começam os treinos para o GP da Itália, Rubinho gastou boa parte da tarde para atender a jornalistas do mundo inteiro. Eles desejavam saber, principalmente, como será a sua relação com Michael Schumacher. Ouviram, no entanto, uma apologia a Jackie Stewart, diretor da sua atual equipe.
A escada que dá acesso à sala de imprensa do autódromo encontra-se entre dois caminhões da Ferrari, cujas laterais estampam o célebre cavalino rampante, seu símbolo, em dimensões generosas. Os fotógrafos e camêras posicionaram-se estrategicamente, afim de registrar a imagem do brasileiro com a sua futura escuderia ao fundo. Eu tenho compromissos com a Ford até o fim do ano, não posso sair posando ao lado da Ferrari, disse Rubinho, para a frustração de todos.
O atual piloto da Stewart respondeu perguntas em italiano, inglês, espanhol e francês línguas que domina. Só depois de muito empurra-empurra para retornar ao motorhome de seu time, conseguiu atender em particular aos jornalistas brasileiros. Eu estava esperando alguma coisa diferente, mas não imaginava uma recepção dessas, confessou. É impressionante como eles gostam de politicagem; perguntaram várias vezes sobre a minha condição de segundo piloto. Em seguida a alguns elogios a Michael Schumacher, como ele é o melhor do mundo, ou tenho muito a aprender com o Michael, Rubinho dedicou um capítulo a Jackie Stewart.
Não é por acaso que ele dá muito mais autógrafos que eu, lembrou. Jackie venceu três vezes o Mundial de Fórmula 1. Se fui contratado pela Ferrari é poque ele me deu, com seus carros, essa chance. Agora é a vez, segundo comentou, de devolver à Stewart um pouco do que a equipe lhe deu. Jackie é o melhor chefe que já tive, ensinou-me muita coisa na Fórmula 1, como piloto e como homem; devo demais a ele.
A imprensa brasileira evita a politicagem, como Rubinho definiu as perguntas relativas à sua condição na Ferrari, mas ela também deseja mais detalhes dessa importante questão: É muito simples, não há nada no meu contrato que me obrigue a dar passagem para o Schumacher ou mesmo trabalhar para ele vencer e ser campeão. Depois criou um novo conceito nas relações entre piloto e equipe: Acho que vou ser não o número 2, mas o 1B.
Para justificar as liberdades concedidas, Rubinho declarou estar consciente da necessidade de provar na Ferrari sua capacidade profissional. Se vou morar na Itália?, o piloto repete a pergunta de um italiano, como dando um tempo para si próprio para responder. Não, diz, sem deixar de decepcioná-lo. Eddie Irvine, a quem irá substituir na Ferrari, tem um apartamento em Milão. Vou morar num apartamento maior do que já mantenho em Mônaco. Atualmente Rubinho reside em Cambridge, Inglaterra.





