dizem que sou até chorão." Depois de cruzar a linha de chegada, confessou ter gritado e chorado sob o capacete. "Nós brasileiros somos assim mesmo." No bolso do macacão carregava a mesma bandeira do Brasil que esperava usar em Interlagos no pódio. "Não deu lá, mas aqui deu." Rubinho projetou ainda um restante de temporada promissor. "Tenho certeza de que chegaremos no pódio mais vezes." No momento em que regressou para os boxes, Jackie Stewart, dono da equipe, abraçou-o fortemente e ouviu do piloto: "Obrigado por me dar um carro." Depois agradeceu aos que sempre acreditaram no seu trabalho. "Pela primeira vez disponho de um equipamento competitivo e estou mostrando que sou capaz." Para Jackie Stewart, o pódio de Rubinho é um "pódio genuíno", mais que a segunda colocação em Mônaco, em 1997. "Esse pódio é a confirmação de nossa evolução. "Se pudesse resumir numa frase o seu carro, diria: "Ele é o viagra da Fórmula 1." Com poderes para levantar qualquer equipe, explicou. Três vezes campeão do mundo, em 1969, 1971 e 1973, elogiou muito Rubinho: "Ele é um grande piloto, merece esse reconhecimento." A próxima etapa do campeonato é o GP de Mônaco, dia 16. Rubinho está otimista como antes da corrida de Ímola. "O mais importante é que agora nós temos condições de largar nas duas ou três primeiras filas, o que nos dá boas chances de resultados como os de hoje (ontem)." A Stewart treina quinta-feira, sexta e sábado em Nogaro, na França. Enquanto Rubens Barrichello comemorava o terceiro lugar, Pedro Paulo Diniz, da Sauber, estava bem chateado. Mais uma vez o carro comprometeu o seu trabalho. "Depois do meu pit stop (volta 25), o câmbio deixou de funcionar." Ele trocou o volante numa segunda parada no box e as marchas voltaram a entrar. "Era um problema eletrônico." Na 41ª volta, tendo já perdido uma volta parado, saiu da pista, na curva Villeneuve. "Estava na frente do Giancarlo Fisichella (Benetton) e ele foi quarto, acho que esse lugar poderia ser meu."Por Livio Oricchio Ímola, 02 (AE) - Estava guardado há muito, Rubens Barrichello confessou: "Dedico esse pódio a Ayrton Senna." O piloto da Stewart conquistou hoje em Imola, na Itália, o terceiro lugar no Grande Prêmio de San Marino, colocação que lhe havia escapado em Interlagos, quando o motor do carro quebrou. Emocionado, comentou: "Deus é muito justo, não é coincidência eu terminar no pódio aqui, esse lugar ainda mexe comigo." O alemão Michael Schumacher, da Ferrari, regeu mais uma vez, no pódio, um coro de milhares de vozes, enquanto seus fãs comemoravam, em festa, a vitória da prova e a liderança do Mundial. David Coulthard, da McLaren, ficou em segundo. "Foi nessa pista que eu me machuquei em todos os sentidos", lembrou Rubinho, referindo-se aos episódios de 1994. Além da morte de Ayrton Senna e Roland Ratzemberger, ele sofreu grave acidente na sexta-feira, impedindo-o de largar. "O único lugar em que poderia dedicar uma conquista ao Ayrton seria aqui." Tudo o que se passou em Ímola, naquele ano, lembra, marcou profundamente sua vida. "Eu tive de me tornar mais forte." Ele diz não ter perdido, contudo, a sensibilidade. "Não raro, choro

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