France PresseVibraçãoRubinho Barrichello depois de cruzar a linha de chegada desabafou: ‘‘Às vezes, me chamam de chorão. Chorei sim. E berrei muito’’ Cinco anos após sofrer em Imola o pior acidente de sua carreira, o brasileiro Rubens Barrichello conquistou ontem, na mesma pista italiana, um ‘‘pódio-desabafo’’. O piloto da Stewart foi o terceiro colocado do GP de San Marino, terceira etapa do Mundial de F-1. O alemão Michael Schumacher, da Ferrari, venceu a prova, seguido por David Coulthard, da McLaren. Foi o quarto pódio de Barrichello na F-1 e o primeiro desde que ele conseguiu a segunda colocação em Mônaco, há dois anos. Agora, ele tem seis pontos no Mundial de Pilotos e ocupa a sétima colocação.
Com os quatro pontos obtidos na corrida, soma 62 na carreira, superando José Carlos Pace e se tornando o quarto brasileiro com maior pontuação na categoria, ficando atrás de Emerson, Senna e Piquet, que conquistaram Mundiais.
A vitória do ferrarista Michael Schumacher encerrou um jejum e levou a um estado de quase histeria os 90 mil torcedores. Desde 1983 a Ferrari não vencia em Ímola.
A comemoração entusiasmada dos torcedores ferraristas, que invadiram a pista ao fim da corrida, tinha algumas boas razões. Com a vitória, Schumacher assumiu a liderança do Mundial. O vice-líder é seu companheiro de equipe, Eddie Irvine. E a Ferrari lidera entre os construtores.
Barrichello comemorou muito no pódio - sambou e chegou a ensaiar que iria ‘‘plantar bananeira’’-, com uma bandeira brasileira. O piloto dedicou o resultado a Senna e desabafou. ‘‘Esperei muito para dedicar isso para meu amigo Ayrton Senna’’, disse, com os olhos ainda avermelhados, de choro. ‘‘Neste circuito, tive a maior decepção da minha vida. Queria muito falar isso, e nunca iria falar em outro lugar que não fosse Ímola.’’
Depois de beber champanhe com os pais, no caminhão da equipe, Barrichello revelou que chegou a chorar ainda no carro. ‘‘Hoje em dia eu choro muito. Às vezes, me chamam de chorão. Mas quem não é emotivo não vive a vida do jeito que tem que ser’’, afirmou, para depois completar. ‘‘Chorei sim. E berrei muito.’’ Pedro Paulo Diniz abandonou o GP de San Marino na 49ª volta.

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