Paulo WolfgangJuniores do Londrina treinam no Estádio VGD: clube terá que contratar profissionais para a Série B nacionalEnquanto Coritiba, Atlético, Paraná e Iraty lutam pelo título do Campeonato Paranaense de 1998, os oito clubes eliminados da competição traçam planos para o segundo semestre ou se resguardam para a próxima temporada. Do grupo dos ‘‘barrados no baile’’, apenas o Apucarana não terá atividade no segundo semestre. O Londrina terá pela frente o Brasileiro da Série B. De outro lado, União, Matsubara, Ponta Grossa, Francisco Beltrão, Maringá e Rio Branco pleiteiam vaga no Brasileiro da Série C.
UNIÃO Único clube paranaense a participar da Série C desde a criação da competição em 1994, o União Bandeirante promete representar bem o Paraná. ‘‘Vamos entrar com um time forte’’, garante o diretor de futebol, Nelson dos Santos. No ano passado, o União chegou às oitavas-de-final e foi eliminado pelo Uberlândia (MG), nos pênaltis (5 a 4), após dois empates (1 a 1). A equipe fez campanha razoável no Estadual (oitavo lugar com 28 pontos ganhos). O elenco foi dispensado após o encerramento da primeira fase do Paranaense e se reapresenta amanhã. Parte dos jogadores, que está emprestada ao Taubaté (SP), Jaboticabal (SP), Comercial de Cornélio Procópio e Paranavaí, só retorna ao clube mais tarde. Os dirigentes se reúnem entre amanhã e terça-feira para traçar os planos para a Série C. ‘‘Vamos sentar com o Serafim (Meneghel, presidente do União) para discutir a contratação de um técnico e a vinda de reforços’’, explica Nelson dos Santos.
APUCARANA O Apucarana Futebol Clube desativou todo o elenco ao final de sua participação no Campeonato Paranaense. O Tricolor da Cidade Alta cumpriu boa campanha na competição terminando na quinta posição com 30 pontos ganhos. Perdeu a vaga para o Iraty no quadrangular nas duas últimas rodadas quando empatou com o Coritiba (2 a 2) e perdeu do Beltrão (2 a 1). O presidente do Apucarana, Jesus Vicentine, decidiu priorizar o saneamento financeiro do clube e não arriscar na disputa da Série C. ‘‘Assumimos o clube há um ano e meio e a justiça nos obrigou a pagar dívidas trabalhistas do Apucarana Atlético Clube. Assim, decidimos primeiro saldar esses compromissos e dar uma melhor estrutura ao clube para não entrarmos endividados no próximo Campeonato Paranaense.’ Do elenco de 20 jogadores, somente três permanecem em Apucarana: Júlio (meia), Joãozinho (atacante) e Adilson (lateral-esquerdo). O meia Júlio, 27 anos, artilheiro do time com 9 gols, está sendo pretendido por várias equipes do Paraná e São Paulo. Segundo Vicentine, o único contato oficial é do Corinthians de Presidente Prudente que pretende levar o jogador para a Série A-2 do Paulistão. O supervisor Abílio Bezerra ressalta que o Apucarana dará ênfase agora às divisões de base.
BELTRÃO Ao contrário do Apucarana, o Francisco Beltrão resolveu expandir suas fronteiras além do Paraná. O Tricolor do Sudoeste é um dos nove clubes do Estado com intenção de disputar a Série C do Brasileiro. Depois do Paranaense (ficou em sétimo com 28 pontos), o elenco foi dispensado e reapresenta-se amanhã. O supervisor Natalino de Souza diz que pelo menos 12 dos 20 jogadores que defenderam o clube já estão certos para a Série C. O técnico da equipe deve ser o secretário municipal de esportes, José Luis Kavalerski. Ele substituirá Joaquim Violin que dirigiu o time no Estadual. A previsão de gastos do clube na disputa da Série C é de R$ 100 mil.
RIO BRANCO O clube de Paranaguá se prepara para participar pela segunda vez da Série C. Em 96, o ‘‘Leão da Estradinha’’ fez boa campanha e só foi eliminado nas oitavas-de-final pelo Figueirense (SC) no saldo de gols: ganhou o jogo de ida em casa por 1 a 0 e perdeu a partida de volta em Florianópolis por 2 a 0. A equipe finalizou o Paranaense na sexta colocação com 28 pontos ganhos. Os jogadores que disputaram o Estadual foram dispensados. O técnico Rafael Granitti, que está no Avaí (SC), retorna ao clube no dia 1º de julho para iniciar a montagem do time. ‘‘O Rafael está pesquisando jogadores de Santa Catarina e Rio de Janeiro e deveremos contratar cerca de 10 reforços’’, explica o diretor de futebol Erwin Walter Aal Júnior, o Vivi. Os goleiros Cristiano e Almeida, o zagueiro Zinho e o meia Erminho são alguns dos seis jogadores que têm contrato. O clube vai usar a Série C como uma espécie de laboratório para o regional de 99. ‘‘Nosso objetivo é preparar o time para o Paranaense do ano que vem’’, confirma Vivi. A folha de pagamento será reduzida de R$ 50 mil (Paranaense) para R$ 35 mil (previsão para a Série C). O primeiro grande jogo de preparação da equipe será um amistoso contra um time carioca (possivelmente o Botafogo), no Estádio Nelson Medrado Dias, em comemoração aos 350 anos de Paranaguá. O estádio, que passou por reformas e tem capacidade para 7 mil pessoas, está ganhando 10 novas cabines de rádio e TV. ‘‘Apesar de estarmos fora do quadrangular, ainda temos a terceira média de público do campeonato com cerca de três mil pessoas, só perdendo para Atlético e Coritiba’’, orgulha-se Erwin Júnior.
MATSUBARA Ao contrário da maioria que não se classificou para o quadrangular, o Matsubara, nono lugar na tabela, 27 pontos, decidiu manter os atletas que participaram do Paranaense para utilizá-los na Série C do Brasileiro. Mesmo assim, o diretor de futebol Haruo Matsubara admite negociá-los. ‘‘Analisemos eventuais propostas. Nosso elenco tem 25 jogadores, quase todos revelados aqui’’, explica. Recentemente, o zagueiro Alan, dos juniores, transferiu-se para o Flamengo. Uma das maiores promessas é o goleiro Claudinei, 21 anos, que substituiu Márcio Vieira no segundo turno. Apesar do modelo empresa adotado pelo Matsubara, Haruo acha que o futebol atual impõe muitas dificuldades financeiras. ‘‘Minha familia é que toca o clube. Não há lucros nem prejuizos. Em Cambará, a média é de apenas 200 torcedores no estádio. Diria que vamos levando. Posso garantir uma coisa: é preciso gostar muito’’, reconhece.
PONTA GROSSA O Ponta Grossa, 27 pontos, décimo colocado no Paranaense, dispensou oito e manteve sete jogadores que mantêm passes vinculados ao clube. O técnico Julinho também saiu. Estão em disponibilidade: o ponta Marquinhos, o volante Jéferson, o zagueiro Isaías e o meia Emerson. O presidente Antonio Mikulis confirmou a interrupção das atividades do time. Segundo ele, o recesso acaba só depois da Copa. ‘‘Agora, procuramos pagar as contas que são muitas’’, afirmou. Além da crise financeira, Mikulis aponta outro desafio para o futuro: obter patrocinadores que pudessem ajudar o time na Série C do Campeonato Brasileiro. O dirigente é contrário à idéia de um torneio entre as equipes que não entraram no quadrangular.
LONDRINA O futuro do Londrina ainda é incerto. Depois do rebaixamento no Campeonato Paranaense, o clube aguarda eventuais patrocinadores para contratar os jogadores que vão participar da Série B do Brasileiro. O técnico Varlei de Carvalho, que irá dirigir temporariamente o Comercial de Ribeirão Preto no Torneio da Morte da Divisão A-2 do Campeonato Paulista, volta no dia 15 de maio para iniciar o planejamento e indicar reforços.
O goleiro Gilmar, o volante Marquinhos Capixaba e os meias Nelsinho e Arnaldo, os melhores do elenco na temporada-97, interessam ao treinador. Aqueles que mantêm passes vinculados ao Londrina serão negociados ou emprestados. Os outros já assinaram a rescisão contratual.
Varlei avisou que pretende montar ‘‘um time forte e competitivo’’. Persiste um velho desafio: a falta de recursos financeiros. O prefeito Antonio Belinati (PDT) admite intermediar patrocinadores, mas sugere a saída da Sociedade Amigos do Londrina como terceirizadora do clube. O presidente da SAL, Marcos Alexandre Domingues, poderia integrar o novo grupo. Na terça-feira, Belinati recepcionou alguns dirigentes, mas nada surgiu de concreto.
MARINGÁ Uma das principais novidades no Maringá, outro rebaixado, é a parceria que vai uni-lo ao Atlético-PR e Cruzeiro-MG, que cederão jogadores para que o time paranaense dispute a Série C do Campeonato Brasileiro. Os gastos em contratações devem cair a zero. O presidente Ronaldo da Silva Maia avisa que a prioridade é investir 100% nas categorias de base. ‘‘Vamos adotar o verdadeiro modelo empresarial. Os números provam que não existe outra alternativa’’. A diretoria aguarda o desfecho de um recurso encaminhado à Federação Paranaense de Futebol (FPF), em que o Maringá aponta possíveis irregularidades contra o Francisco Beltrão e Matsubara. Ambos não teriam pago a taxa cadastral no prazo limite estipulado pela CBF (28 de fevereiro), o que implicaria na recusa dos registro dos jogadores e na perda dos pontos. Se a denúncia tivesse fundamento, Maringá, último colocado, oito pontos ganhos, e Londrina, penúltimo, 23 pontos, escapariam da segundona. Enquanto espera um pronunciamento da FPF, o presidente do Maringá, Ronaldo da Silva Maia, disse que o clube já se reorganiza para o futuro. Ronaldo conta que pagou 90% das dívidas referentes aos salários dos jogadores. Restam compromissos que totalizam R$ 40 mil. Para aliviar as despesas, o Maringá emprestou o goleiro Hélber, o lateral Dan e o zagueiro Marcelo - todos ao Marília (SP), além do meia Jesiel ao Mirassol (SP) e do atacante Marquinhos Astorga ao futebol da Finlândia (passe avaliado em US$ 300 mil). Ainda negociou Gileno ao Apucarana.

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