Barcos seguem com destino a Cabo Verde
Barcos seguem com destino a Cabo Verde16/Mar, 18:54 Por Julio Cruz Neto Funchal, Ilha da Madeira, 16 (AE) - Sob um vento forte e frio, os barcos que participam da Regata do Descobrimento partiram hoje de Funchal, na Ilha da Madeira, com destino a Cabo Verde. É a segunda perna da prova, que tem por enquanto o veleiro português Marujo, vencedor da primeira perna, na liderança. Na primeira noite da primeira perna, os velejadores haviam enfrentado ventos fortes, de 30 nós (55,5 km/h). E hoje aconteceu quase a mesma coisa. Quando deixavam o porto de Funchal, o anemômetro acusava em média 20 nós, mas com picos de até 30. "Os barcos vão pegar esse vento leste e nordeste de través (lado), o que deve propiciar uma boa velocidade pelo menos para iniciar a travessia", explicou o capitão de corveta Newton Costa, tripulante do Cisne Branco, enquanto assistia à largada, no início da tarde. O Cisne Branco parte apenas amanhã de manhã. O vento de 20 nós corresponde ao nível 5 na escala Beaufort, que divide em 12 as condições meteorológicas e marítimas para navegação. Nesse nível, chamado de fresco, os ventos variam de 17 a 21 nós e o mar apresenta vagas (ondas) moderadas com muitos carneiros (ondulações) e altura de 2,5 metros. No nível 6 (muito fresco), o vento varia de 22 a 27 nós e o mar tem grandes vagas com possibilidades de borrifos e altura de 4 metros. O vento de 30 nós se encaixa no nível 7 (forte, de 28 a 33 nós): mar grosso com o vento jogando espuma e até 5,5m. E agora há apenas quatro barcos disputando efetivamente a regata - os demais fazem o percurso apenas como uma viagem. Irritado com a decisão de que os motores seriam lacrados, Luiz Alberto Ballarin, do Corumii, decidiu retirar seu veleiro da competição, embora continue na flotilha, que deve chegar a Cabo Verde dentro de oito dias, para depois cruzar o Oceano Atlântico até Salvador. O Corumii foi um dos barcos que usou o motor na primeira perna por causa da ausência de vento, mas admitiu tê-lo feito. A decisão de lacrar os motores surgiu de um protesto feito por Olmar Candaten, comandante do Papa Léguas (ele também 'motorou' assumidamente), que acusava os concorrentes de terem feito o mesmo, só que às escondidas. A lacração foi feita hoje pela manhã e acabou atrasando a largada, que estava marcada para as 14h, mas ficou para as 15h30. "Atrasou porque tivemos que selar de novo o motor do Viva", disse o Comandante Messeder, organizador da prova: "O selo saiu assim que eles desatracaram." Sem poder acionar o motor, os barcos tiveram de ser rebocados da marina para poderem abrir as velas e começar a velejar. Mas com vento forte, essa manobra fica complicada. E o veleiro português Mariposa quase sofreu uma colisão dentro da própria marina. Imprevistos, desistências, protestos e sustos à parte, todos seguem na trilha de Pedro álvares Cabral.





