Barcelona prova que vale a pena investir alto
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sábado, 04 de agosto de 2007
Almir Leite<br> Agência Estado 
São Paulo - No futebol brasileiro é assim: se o clube está com problemas financeiros, opta pelo bom e barato na hora de montar o elenco e torce para dar certo. Invariavelmente, dá errado. De bom os times baratos não têm nada, e a consequência é que vão mal nas competições. A torcida se afasta, os patrocinadores também, o dinheiro não entra e a pindaíba financeira continua.
Na Europa a filosofia é diferente. Várias direções de clubes entendem que investir é o melhor para sair da crise. O Barcelona é, talvez, o melhor exemplo de que a aposta em ídolos e em times fortes acaba enchendo os cofres como recompensa.
Na semana passada, o Barça divulgou seu balanço da temporada 2006/2007. Entre os vários números, um ficou claro: quanto maior o gasto com salários (algo obrigatório quando se conta com jogadores de primeira linha), maior a receita. No último exercício, o clube catalão pagou 148,3 milhões de euros a seus atletas - de todos os esportes, mas com o futebol como carro-chefe, claro -, mas faturou 290,1 milhões de euros, ou seja, quase o dobro. Em 2002/2003, quando o clube acabava de sair de um buraco financeiro deixado pela administração anterior, do presidente Josep Lluís NuÀez, o lucro foi bem menor: gastos de 109,3 milhões de euros e arrecadação de 123,4 milhões de euros.
No próximo exercício, a diferença deve aumentar, pois o Barça continua investindo no futebol. Fez várias contratações, a principal delas do francês Thierry Henry - pagou 24 milhões de euros ao Arsenal pelo atacante. E já prevê pagar 170,5 milhões de euros em salários (15% a mais que o exercício recém-encerrado), para um faturamento estimado em US$ 315 milhões de euros. ''A gestão atual do Barcelona parte do princípio de que, quanto mais se investe, mas retorno financeiro se tem'', diz Amir Somoggi, consultor e especialista em gestão e marketing de clubes.
Com equipe forte e atrativa, o Barça viu suas receitas - de bilheteria, mídia, venda de carnês, produtos negociados no Camp Nou e em outras praças esportivas - aumentarem sensivelmente. E vão continuar crescendo, pois só um contrato de direitos de TV previsto para começar a vigorar em 2008 significará mais 130 milhões de euros ao clube.
No Brasil a realidade é outra, e os clubes ainda apostam na venda de jogadores - e não ações de marketing - para se manterem financeiramente. ''Eu procuro vender bem o jogador e também comprar bem'', disse recentemente o presidente do Inter, Fernando Carvalho.
O problema é que, salvo exceções como o colorado Alexandre Pato, a ''reposição'' normalmente não está à altura da ''peça que saiu''. Com isso, o interesse pelo clube diminui e os ganhos financeiros, também. O Barcelona prefere fazer diferente. ''Procuramos investir em grandes atrações, pois sabemos que o retorno vai compensar'', defende o presidente Joan Laporta.
Reclamações - Mas nem tudo são flores na festa financeira do Barcelona, que não ganhou nada de relevante na última temporada - perdeu o Mundial de Clubes, a Liga dos Campeões, a Copa do Rei e o Campeonato Espanhol. O clube vai arrecadar US$ 10,1 milhões (perto de R$ 20 milhões) pela excursão de nove dias que fará pela Ásia nos próximos dias.
Ronaldinho Gaúcho, Messi, Eto'o e Henry vão se exibir em três amistosos no Japão e na China, o que, além do cachê, garantirá ao clube um bom dinheiro por conta do aumento nas vendas de camisas, bandeiras e dezenas de outros produtos licenciados pelos catalães. Há, no entanto, quem se mostre contrário a viagem tão longa em detrimento de uma pré-temporada mais bem elaborada.
São os casos do zagueiro francês Thuram e do italiano Zambrotta. Eles preferiam ficar treinando na Espanha ou mesmo em outro país da Europa. ''Seria melhor nos prepararmos bem para a temporada'', defendeu Zambrotta. ''Esse tipo de viagem não ajuda em nada nossa preparação'', acrescentou Thuram.
No ano passado, jogadores como Ronaldinho Gaúcho alegaram que a excursão feita por Estados Unidos e México antes dos campeonatos atrapalhou fisicamente a maioria dos jogadores, que demoraram para entrar em forma e não ganharam nada.
A diretoria do Barcelona respondeu dizendo que ''respeita as opiniões divergentes'', mas é necessário correr atrás de dinheiro. ''Com um orçamento como o do Barça, peço a todos trabalho, responsabilidade e dedicação'', disse Laporta. Mais claro, impossível.


