BAR é punida severamente pela FIA
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quinta-feira, 05 de maio de 2005
Livio Oricchio<br> Agência Estado 
Barcelona - Pode até ser que hoje a BAR-Honda consiga na Justiça comum o direito de disputar o GP da Espanha, no Circuito da Catalunha, em Barcelona, apesar da ameaça de Bernie Ecclestone, promotor do Mundial de Fórmula 1. Ontem, Nick Fry, diretor da equipe, confirmou que ''a esta altura todos os recursos são válidos''. Afinal, o Tribunal de Apelação da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) retirou os 10 pontos conquistados por Jenson Button e Takuma Sato no GP de San Marino e suspendeu o time anglo-nipônico da prova do fim de semana e também da seguinte, o GP de Mônaco, no dia 22. ''Estamos estarrecidos com a punição'', afirmou Fry.
A direção da BAR preferiu ser política e não quis responder se a pena aplicada tem a ver com o fato de a Honda, sócia da escuderia, não ter assinado a extensão do Acordo da Concórdia, como desejam Ecclestone e o presidente da FIA, Max Mosley, quem entrou com a ação contra a escuderia, depois da corrida de San Marino.
Mas poucos duvidam na Fórmula 1 de que os dois dirigentes deram uma mostra clara do que podem fazer, ainda que, no caso, todas as evidências são mesmo de que o time burlou as regras do jogo ou interpretou o regulamento de forma bastante particular.
A quinta-feira foi agitada no autódromo de Montmeló, em Barcelona. Atrás dos boxes, toda a confusão criada em torno dos motorhomes da BAR-Honda. E na parte da frente, milhares de fãs de Fernando Alonso, a maioria com boné azul, a cor da sua equipe, a Renault, faziam sua festa, num lindo espetáculo.
''Alonso, Alonso'', cantavam a maior parte do tempo. O Real Automóvel Clube da Catalunha, organizador do evento, teve o desprendimento de liberar a área em frente aos boxes para visitação, já que não há mais ingressos para os três dias de competição, que começam hoje com duas sessões de treinos livres.
As demais equipes se sentiram enganadas pela BAR e a condenaram sem meias palavras. ''A história da Fórmula 1 tem casos semelhantes e as penas foram muito mais severas. A Tyrrell acabou excluída do Mundial de 1984, por exemplo'', disse Mike Gascoyne, diretor-técnico da Toyota. Naquela temporada, o time de Ken Tyrrell acrescentou pequenas esferas de chumbo na gasolina a fim de elevar o peso do carro e atender o peso mínimo, na época, de 540 quilos.
Flavio Briatore, da Renault, foi mais incisivo: ''Lutei com a BAR pelo vice-campeonato, ano passado. Será que já estavam irregulares também? Me sinto mal de saber que perdi para uma equipe fora das regras.''
O suíço Peter Sauber qualificou a decisão da FIA como ''equilibrada.''
Já os dois pilotos da BAR, Jenson Button e Takuma Sato, deixaram o Circuito da Catalunha no fim da tarde sem falar com a imprensa.


