Rio - Clube que revelou os eternos craques Domingos da Guia e Ademir da Guia, o Bangu perdeu a identidade e a força no futebol do Rio. Sem recursos, disputa a seletiva para o Campeonato Carioca de 2007 com um time de aluguel, fruto de acordo de bastidores.
O presidente do Madureira, Elias Duba, emprestou todo o elenco e a comissão técnica da equipe vice-campeã estadual deste ano para o Bangu, cujo presidente de honra, Rubens Lopes, ocupa o cargo mais alto na Federação de Futebol do Rio, desde a morte de Eduardo Viana, em agosto. Além disso, o time suburbano deu seu estádio para a preparação do Bangu e continua pagando o salário de seus representantes.
A ajuda, no entanto, tem prazo de validade: se encerra no fim do torneio, que oferece quatro vagas à Primeira Divisão do Carioca. Para Elias Duba, a parceria também teve como finalidade deixar seus jogadores em atividade, pois o Madureira não disputa nenhuma competição neste segundo semestre.
A paixão pelo clube de coração é inexplicável. Sentado numa cadeira de rodas, o aposentado João Batista, de 91 anos, não costuma perder nenhuma partida do Bangu. Conhecido por todos no local, ele guia sua cadeira de rodas até o gramado, posicionando-se perto do banco de reservas. Dali, usa binóculo para visualizar as jogadas do lado oposto do campo. Falar sobre a história do Bangu é o seu maior prazer. Mas ele se inquieta quando fala da nova parceria. ''Fico triste com isso. O Bangu tinha que ter o time dele, revelar seus próprios craques, como fazia antigamente. Tenho saudades do passado. Assistia a um time aguerrido, vibrante, e que jogava de igual para igual com qualquer um'', disse João Batista, emocionado.
Cercado por amigos, o banguense Zé Carlos, de 62 anos, também ironizou o ''empréstimo'' do Madureira. ''Agora torço para o Bandureira Futebol Clube'', disse.
Andarilho do futebol, o zagueiro Odvan, que já defendeu a seleção brasileira sob comando de Vanderlei Luxemburgo e tem contrato com o Madureira até maio de 2007, nunca imaginou atuar no Bangu. ''Nem conheço a letra do hino. Até vou acessar a Internet para escutá-lo'', afirmou, constrangido.
De acordo com a advogada Vera Otero, especialista em direito esportivo, não há nada que impeça o acordo entre os dois clubes na legislação vigente.

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