Bandeirar é fácil, o difícil é achar namorado
Enfrentar dois times e mais a torcida não é difícil para Paula, Gisele e Renata. Mas o mesmo não se pode dizer quando o assunto é arrumar namorado. As três, apesar de bonitas e simpáticas, estão livres e desimpedidas e não conseguem achar homens que compreendam o trabalho delas.
O caso mais radical foi de Renata. Depois de sete anos entre namoro e noivado, ela recebeu um ultimato. Meu noivo chegou em mim e mandou eu escolher entre ele e o apito. Escolhi continuar na arbitragem. Já abri mão de muitas coisas e vou continuar abrindo pelo futebol, revelou.
Paula foi outra a perder o namorado, mas ela não se importa. Quem se preocupa mais é a mãe dela. Minha mãe fala que não vou conseguir casar. Mas o homem que me quiser tem que ser muito homem para aceitar a minha profissão, avisou e desafiou a árbitra.
Ela conta que no começo, quando conhece alguém, os rapazes se empolgam com o fato de ser ligada ao futebol. Quando você fala que é árbitra os garotos acham legal. Afinal, querem conversar sobre futebol, ir ao estádio juntos. Mas quando caem na real, aí meu filho..., contou.
Mas não deve ser fácil mesmo para o namorado, noivo ou marido suportar o festival de cantadas, elogios e até xingamentos que a namorada, no caso, a musa do apito, recebe a cada partida. Num jogo, todos mexem com a gente. Não importa se é feia, se é bonita. O povo mexe mesmo, gritam que é gostosa e tudo mais, reconheceu Paula.
Ela revelou que acha engraçadas algumas cantadas e até sente vontade de rir às vezes com as frases que são ditas. Uma vez jogaram latas na beira do campo e foi lotando. Comecei, então, a chutar de lado e veio a música da arquibancada: Vai bandeirinha, chuta a latinha. Me segurei muito para não rir.
Segundo Paula, o assédio vem até de quem está no gramado. Os jogadores do banco de reservas sempre falam algumas coisas, como o perfume, por exemplo, apontou.
Gisele contou que já foi cantada até dentro de campo. Um jogador me chamou para sair enquanto ajeitava a bola para bater o escanteio, lembrou, soltando gargalhadas.
Em compensação, quando erram, os elogios vão embora. A torcida manda lavar roupa, pilotar fogão e outras coisinhas que não dá para falar. Já ouvi mulheres falarem que se eu olhasse para as pernas dos maridos delas eu apanharia, comentou Paula.
Elas contam que os pais incentivaram a escolha, mas revelam que já sofreram preconceito de amigos. Infelizmente é assim, lamentou Paula. É machismo puro, emendou Renata. (T.M.)





