Banco pode intervir no Vasco, prevê parceria
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terça-feira, 21 de março de 2000
Por Rodrigo Mattos e Gustavo Alves 
Rio, 22 (AE) - O contrato do Vasco com o Banco Liberal - braço do Nations Bank no Brasil - prevê a intervenção do banco no futebol do clube por meio da Vasco da Gama Licenciamentos (VascoLic), empresa criada para administrar a marca do clube. Isso contraria o que o vice-presidente do Vasco, Eurico Miranda, tem informado a respeito da associação. A Agência Estado teve acesso ao contrato com exclusividade.
A intervenção está prevista na cláusula 4 do documento. No item 4.1, está escrito que a VascoLic, que é controlada pelo Banco Liberal, pode comprar até 50% do passe de um jogador do clube para pagar um empréstimo feito pelo banco. Isso porque o Banco Liberal pagou o montante de R$ 34 milhões ao clube na assinatura do contrato em 1998, mas tem de ser ressarcido do valor.
Segundo o item 4.2 do contrato, na aquisição do passe de um jogador, a VascoLic teria o direito a um desconto de 20% sobre o preço de mercado, que seria determinado por três agentes credenciados pela Fifa. Se a compra tiver sido efetivada antes do final de um ano de contrato, prazo que já expirou, esse desconto sobe para 30%.
Ao final do primeiro ano, a VascoLic poderia exigir a venda do jogador, do qual detivesse parte do passe. Nesse caso, cada uma das partes teria direito a receber um valor proporcional a que possuiu no passe do jogador negociado.
Além dessa interferência, a VascoLic pode realizar auditorias na parte financeira do futebol vascaíno, "a fim de se manter informada". A auditoria seria realizada por uma firma independente contratada pela VascoLic. Na prática, isso significa que o Banco Liberal vai receber informações sobre todos os negócios que o Vasco realizar.
A venda do passe de um jogador não é a única forma de o Banco Liberal receber de volta o montante de R$ 34 milhões. O banco terá direito a todos os lucros da VascoLic até recuperar todo o investimento inicial. Ou seja, o Vasco não vai receber nenhum dinheiro pela exploração de sua marca, enquanto o banco não tiver sido ressarcido do adiantamento.
Quando este valor tiver sido quitado, a receita da empresa será dividida igualmente entre o Vasco e o Banco Liberal. Se houver necessidade de a VascLic defender os direitos de exploração da marca na Justiça Comum, as despesas serão custeados pelo clube. Além disso, o Vasco tem de investir o valor do empréstimo no futebol, sendo proibido o desviou do dinheiro para outras áreas.
Caso uma das partes decida romper o contrato no primeiro ano, terá de pagar uma multa equivalente ao valor do montante investido pelo Banco Liberal. No segundo ano, aquele que quebrar o acordo vai ter de pagar 75% do valor. No ano seguinte, o valor da multa diminui para metade do montante. A partir do quarto ano
a multa cai para R$ 9 milhões.


