Rio, 08 (AE) - O Banco Icatu poderá desistir da parceria com o Corinthians, em razão das novas exigências feitas pela diretoria do clube para assinar o contrato. O acordo seria anunciado oficialmente no último dia 27, mas, na véspera da data marcada, o presidente Alberto Dualib pediu uma reunião com os diretores do banco para tentar mudar diversas cláusulas já acertadas desde a assinatura do pré-contrato, em 29 de outubro.
O Corinthians pediu adiantados ao banco R$ 11,5 milhões das receitas previstas para o ano de 1999, entre os quais os R$ 2,5 milhões do contrato de fornecimento de material esportivo com a Topper. O clube concordou em abatê-los das luvas de R$ 26 milhões que o Icatu pagaria assim que o contrato definitivo fosse assinado. No fim de janeiro, porém, Dualib voltou atrás e pediu que o dinheiro adiantado fosse devolvido apenas num prazo de 10 anos.
O banco e o grupo de investidores que apóia o projeto não concordaram com o pedido. Na realidade, consideraram-no absurdo. Primeiro, porque o pré-contrato previa um adiantamento máximo de R$ 3 milhões. Em segundo lugar, porque o Corinthians, até agora, não usou o dinheiro para saldar dívidas com os jogadores.
O atacante Edílson, por exemplo, tem US$ 1,3 milhão a receber ainda da parte da compra do seu passe do Japão. O jogador ameaçou não disputar o jogo contra o Flamengo. O time também só recebeu parte do prêmio de R$ 700 mil pelo título brasileiro. Na realidade, o Icatu não sabe o que o Corinthians fez com os R$ 11 5 milhões adiantados.
O banco tenta achar uma solução conciliatória que ainda salve o acordo. Mas a negociação chegou a um impasse. Os investidores não querem rolar a dívida. "Seria apenas adiar o problema para daqui a dois ou três anos", disse uma fonte que participou das conversas. Além dos R$ 11,5 milhões adiantados, o Corinthians tem um passivo de R$ 15 milhões, referente a dívidas com bancos, INSS e outros, que já era do conhecimento do Icatu.
Dualib sugeriu que os R$ 11,5 milhões fossem descontados do dinheiro que o Icatu daria ao clube para contratar reforços. Fora as luvas - R$ 14 milhões na assinatura e quatro parcelas semestrais de R$ 3 milhões - o banco ainda daria uma quantia superior a R$ 12 milhões para o Corinthians contratar novos jogadores. O Icatu, porém, não aceita este acordo, pois considera que, com a crise atual, o time precisa se reforçar.
Os pedidos de Dualib pegaram os investidores de surpresa e causaram uma crise de credibilidade. No acordo inicial de parceria, o banco e o clube formarão uma empresa S.A. que gerenciará os recursos do futebol e terá como presidente do conselho de administração o proprio Dualib. O diretor operacional da empresa será uma pessoa indicada pelo clube. Os investidores hesitam em fechar a parceria com dirigentes que mudam as regras do jogo depois de empenharem sua palavra em contratos.
Pelo acordo inicial, o Icatu - que lidera um pool de investidores nacionais e estrangeiros - pagaria R$ 3 milhões mensais pela folha de pagamento (com encargos) e arcaria com todas as despesas do futebol profissional e amador por um período de 10 anos. Em troca, ficaria com a receita de bilheteria, direitos de TV, patrocínio e venda de licenciamento da marca Corinthians e repassaria royalties ao clube. Caso a nova S. A. desse prejuízo, o banco e os investidores arcariam com ele e se comprometeria a um pagamento mínimo anual.
O pool de investidores bancará ainda a construção de um Centro de Treinamento, no valor de 15 milhões. Caso construa o estádio na Barra Funda, investirá no mínimo mais R$ 50 milhões, e estenderá a parceria por mais 10 ou 20 anos.

mockup