Banco Central vê indícios de evasão fiscal nos clubes
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quinta-feira, 25 de janeiro de 2001
Agência Estado De Brasília 
Sindicâncias que estão sendo feitas no Banco Central apontaram fortes indícios de lavagem de dinheiro e evasão de divisas em três clubes de São Paulo favorecidos pelas liminares do Supremo Tribunal Federal (STF) que impedem a CPI do Futebol de investigar suas contas bancárias e fiscal. São eles o São Paulo, Corinthians e Palmeiras. De acordo com técnicos do BC, a infração mais constante é a da realização de operações de câmbio ilegítimas. Isso ocorre quando pessoas ou empresas, domiciliadas ou estabelecidas no País, não comunicam ao Banco Central as operações que realizaram no exterior.
Um caso comprovado pela CPI foi o da venda do jogador Serginho para o Milan, da Itália, por US$ 10 milhões. O dinheiro foi depositado num banco localizado em Miami e a transação não foi comunicada às autoridades financeiras do País. De acordo com um senador, há também coincidência entre as liminares do STF e o trabalho que a Receita Federal tem feito a pedido da comissão: foi constatado que boa parte dos dirigentes de clubes atingidos pela quebra do sigilo fiscal e bancário apresentam um enriquecimento rápido e suspeito.
Na semana que vem, o presidente e o relator da CPI, senadores Álvaro Dias (PSDB-PR) e Geraldo Althoff (PFL-SC), vão entregar ao presidente do STF, ministro Carlos Velloso, informações para fundamentar melhor os pedidos de quebra de sigilo bancário e fiscal.
A expectativa dos parlamentares, inclusive dos deputados da CBF/Nike, é que, no julgamento do mérito, as liminares venham a ser derrubadas. Os senadores, por sua vez, também estão se preparado para recorrer ao STF. Eles deverão pedir ao tribunal um mandato de busca e apreensão, caso os clube se neguem a entregar cópia dos contratos de patrocínio milionário que mantém com empresas como a Parmalat, ISL, HMTF e Vascolic. Os pedidos foram feitos no início das investigações, mas até agora não houve resposta.


