Balanço-98 da CBF põe Teixeira em contradição
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sexta-feira, 05 de fevereiro de 1999
Das agências 
O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, entrou em contradição ontem com o balanço de 1998 da entidade, em entrevista coletiva, ao comentar o prejuízo de R$ 15.137.737,90, valor declarado pela CBF. O dirigente, que se recusou a responder às perguntas sobre o déficit no ano passado, após ser questionado pela terceira vez sobre o assunto, comentou apenas dois itens da prestação de contas. As argumentações de Teixeira (foto) entraram em conflito com os valores declarados pelo Departamento de Finanças da entidade. Ele disse que não recebeu os US$ 6,3 milhões anunciados pela Fifa, que seriam pagos aos finalistas da Copa do Mundo. Teixeira afirmou que a cota paga pela Fifa à CBF foi de cerca de US$ 5 milhões.
De acordo com os documentos do Departamento de Finanças da CBF, o valor pago pela Fifa foi de R$ 3.403.000,00 em 98. Ao ser questionado sobre a diferença, Teixeira disse que a entidade tem uma conta corrente com a Fifa, que está em trâmite, inclusive porque a entidade não fechou o seu balanço. Nessa conta, tem débitos de clubes, de ingressos, de passagens.
Teixeira contestou que recebeu apenas R$ 119.884,00 por ter disputado a Copa das Confederações, em dezembro de 1997, conforme consta na prestação de contas da entidade em 98. Apesar da contestação do dirigente, não existe especificado no balanço o valor recebido pela entidade para participar da competição na prestação de contas de 97. Logo após falar sobre a Copa das Confederações, o dirigente disse que o assunto estava encerrado.
Ele não esclareceu os R$ 5.138.627,92 gastos pela entidade em 98 como auxílios eventuais, conforme declarou o Departamento de Finanças da entidade. Teixeira também não quis falar sobre os cerca de R$ 250 mil recebidos pela entidade para publicidade estática nos amistosos da seleção no ano passado. O valor é menor do que a cota recebida pela Suderj (órgão responsável pela administração do Maracanã) para os jogos do Torneio Rio-São Paulo.
O presidente da CBF disse que o contrato assinado pela CBF com a Nike em 96 é disparado o melhor. A Nike é parceira da seleção e não faz nenhuma exigência extraordinária. Eu gostaria de reformá-lo (o contrato) nas mesmas condições, afirmou Teixeira.
A Nike não interfere na escalação da seleção. Mas obviamente todos os jogos amistosos são conversados. Porém não há interferência nesse caso. A última palavra é sempre da comissão técnica, acrescentou. Segundo o contrato, a Nike tem grande poder sobre a seleção. A empresa escolhe cinco adversários por ano para a equipe.
O Brasil terá cinco meses para elaborar o projeto de candidatura à sede da Copa do Mundo de 2006. O presidente da CBF voltou da Suíça com o caderno de encargos da Fifa para a organização da competição e está otimista quanto às chances de o País vencer a disputa contra os principais adversários - Inglaterra, Alemanha e África do Sul.
Dos 23 votos do comitê executivo da Fifa, que decidirão, em março de 2000, o país que sediará a Copa, Teixeira já conta com seis: três da América do Sul e três da Cocacaf (América do Norte, Central e Caribe), que, historicamente, apóiam o continente. Na sua opinião, os oito votos da Europa devem ficar divididos entre Alemanha e Inglaterra e os quatro da África devem ir para a África do Sul. Quatro votos da Ásia e um da Oceania podem decidir a eleição, que tem ainda um 24º voto, de minerva, do presidente Joseph Blatter. O pleito é em dois turnos e, para o segundo, classificam-se as duas candidaturas mais votadas.


