Os dias de festas, com fartura de mulheres e bebidas, estão contados no Londrina. Quem avisa é o novo técnico do time, Jorge Saran. Antes mesmo de sua chegada ele já mandou um recado aos baladeiros de plantão: ''Baladeiro não trabalha comigo''.
O excesso nas noitadas foi uma das marcas desse Londrina que morreu na praia na Copa Paraná. Nenhum dos três técnicos que passaram pelo time no torneio conseguiram controlar alguns atletas e o reflexo era visto dentro de campo. Quando eram dedurados, alguns recebiam punição branda da diretoria. O ex-treinador Abel Ribeiro, por exemplo, tinha como grande aliado no combate às baladas um porteiro de prédio. O que pode explicar o afastamento repentino de alguns jogadores.
Saran diz ser do estilo linha-dura. Promete impor regras e não vai admitir que deslizes. ''Sou amigo, sou companheiro, joguei bola 13 anos e sei como funciona, mas gosto de disciplina. Serão regras e não ditadura'', avisou.
O método de trabalho dele é, realmente, anti-baladeiro. O treinador pretende fazer os treinamentos em três períodos, principalmente durante a pré-temporada. O primeiro é físico, tem início às 7 horas e termina às 8h30. O segundo é tático e será entre 10h30 e meio-dia. Das 16 horas às 18 horas o time faz mais um trabalho físico. ''O baladeiro não aguenta esse treinamento e vai pedir para sair. Não gosto de falhar com horários. Sou o primeiro a chegar no campo. Vocês vão me ver olhando a grama, passando no refeitório para falar bom dia para a tia...'', prometeu.
Broncas à parte, o novo treinador quer analisar o elenco remanescente da Copa Paraná antes de sugerir reforços. Ele se apresenta amanhã. ''Primeiro preciso ver o que temos aí para trazermos jogadores na posição certa. Não quero e não gosto de trabalhar com um grupo inchado. Quero poucos jogadores, mas de qualidade'', adiantou.
Saran disse ter ouvido do vice-presidente de futebol, Adir Leme da Silva, que teria nas mãos uma equipe para brigar pelas quatro primeiras posições no Paranaense. A tendência é que seja formada um espinha dorsal com jogadores experientes e o restante com atletas mais jovens. O prata-da-casa Rodrigo, que renovou contrato por mais dois anos, é um deles. ''Se for para trabalhar com bastante jogadores, prefiro pegar os da casa, porque não vão me dar trabalho'', disse.
Saran tentará manter a tradição que o acompanha na carreira de treinador. Ele ficou pelo menos um ano em cada clube por onde passou. No último, o Corinthians Sub-20, foram três anos. Porém, terá que mudar a história recente do Tubarão. Somente em 2007, foram cinco treinadores, uma média de um a cada dois meses. Saran é o sexto e quer quebrar a escrita. ''O que segura técnico no cargo são resultados. Para isso, é necessário um planejamento bom, uma comissão técnica boa e que a diretoria entenda que o tempo é curto para os resultados rápidos'', comentou o técnico, que quer um auxiliar que conheça bem o futebol paranaense.

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