Enquanto todos aguardavam medalhões, como Carlos Alberto Torres ou Jair Pereira, para o comando técnico do Londrina, José Luís Mauro, o Vica chegou quieto, surpreendendo a muitos, e já ganhou espaço no clube. Com idéias, ações e o aval do tetracampeão Branco, de quem é amigo pessoal, ele vai mudando a forma de trabalho no Tubarão.

O técnico Vica lembra muito o zagueiro Vica. Duro, mas leal. Rigoroso, mas compreensivo, líder e reivindicador. Com uma fama de linha dura ele já avisou: ''Baladeiro não tem vez aqui''.

Para conhecer um por um os jogadores, Vica levou o grupo para um refúgio de 12 dias em Alvorada do Sul (68 km ao norte de Londrina). Antes do embarque, concedeu uma entrevista exclusiva à Folha, onde falou de seus planos para o futuro alviceleste.

Folha: O que o torcedor pode esperar do Londrina versão 2006 nas suas mãos?
Vica: A expectativa minha e da diretoria é montar um time competitivo, chegar entre os quatro primeiros, ter uma vaga na Série C e, se chegar entre os quatro primeiros, brigar e incomodar os grandes. Isso é o principal objetivo a curto prazo.

Folha: Qual é o segredo para conseguir tudo isso?
Vica: Não tem segredo. É o que a diretoria está fazendo. Me dando uma condição de contratação dentro de um limite. Está difícil, jogadores que a gente conhece, que já disputaram uma Série B de Campeonato Brasileiro, que estão acostumados a disputar o Paulistão, enfim, campeonato duros, acostumados a um ritmo forte de campeonato. Mantemos alguns jogadores que estavam aqui na Série C, trouxemos outros daqui do Paraná e estamos buscando revelações do Brasil inteiro. Vamos fazer um trabalho mesclado, experiência e juventude.

Folha: Esse é o seu projeto a curto prazo. E a longo prazo?
Vica: A partir do momento que o Peter Silva assumir oficialmente o clube nós vamos sentar e discutir o contrato. Temos um acordo verbal e sem prazo. O a longo prazo que eu comento diz respeito principalmente às divisões de base, que terão uma estrutura, mas já tem um campeonato que vai precisar de alguma coisinha a curto prazo, que é a Taça São Paulo de Juniores. Dali, a gente também pode aproveitar alguns jogadores para o profissional. Num prazo de dois a quatro anos você vai preparando esse trabalho na base. Uma reestruturação do departamento amador, uma reestruturação do clube e isso requer tempo.

Folha: É seu primeiro Paranaense como técnico. Você acha que isso pode trazer alguma dificuldade? Tem diferença para o Paulistão?
Vica: São Paulo tem quatro divisões e muita cobrança. Eu sei que aqui eu não terei uma cobrança de imediato para ser campeão, o que seria muita pretensão nossa, mas pode até acontecer. É lógico que tenho que sonhar em ser campeão paranaense, assim, você se aproxima dos grandes. Mas se você chegar em primeiro depois dos grandes já é um bom trabalho.

Folha: Você acha que precisa de um ''medalhão''?
Vica: Não tem necessidade. Preciso do equilíbrio dentro de um plantel, aí não preciso de um medalhão. Agora, se o clube chegar e me oferecer um grande jogador de nome, que possa vir a resolver e ajudar, eu aceito. Mas a princípio não me preocupo. Tem jogador de 21 anos aqui com experiência internacional.

Folha: Você se considera um técnico linha dura?
Vica: Eu cobro profissionalismo dos jogadores. Eu sou um cara muito amigo dos jogadores, tenho um respeito por eles e eles têm que ter comigo também. Procuro lutar pelos direitos deles junto à diretoria para não atrapalhar meu trabalho em campo. O jogador tem que chegar no treinamento sem reclamar de dinheiro. Eu não admito e não permito que o jogador seja indisciplinado, que não seja de grupo, que arrume inimizade, briga. Esse jogador eu vou tirar, por isso estamos contratando atletas que não têm essas características, de ser agitador, boêmio.

Folha: Baladeiro não tem vez com você?
Vica: Não tem e não pode ter vez. Eu, vocês da imprensa e os torcedores temos que tirar eles (baladeiros) daqui. Vocês têm que 'descer o cacete', o torcedor tem que vir e comunicar a hora que ver, pra gente punir. E é uma chance só. A primeira tá na rua. Ele tem direito de sair com a esposa, fazer um churrasco, tomar uma cervejinha, um vinho, um refrigerante, ir pra uma boate dançar, mas vai depois do jogo. Tem hora pra tudo. O que não pode é atrapalhar o rendimento dele dentro de campo e a gente sabe que balada, noitada, atrapalha.

Folha: Como era o Vica jogador?
Vica: Eu, modéstia a parte na minha carreira, em 90% dos clubes que atuei fui capitão, desde os 18 anos. Sempre tive um liderança em campo. Sempre procurei agregar. Não tenho inimigo no futebol. Pode até ser que alguém não goste de mim, mas com todos que joguei tenho uma excelente amizade. Fui um jogador que me determinava muito. Muita disposição, muita raça. Por isso joguei em time grande, joguei cinco anos no Fluminense, fui campeão no Coritiba. O torcedor sempre gostou de raça. Sempre me dei bem com torcida por isso.

Folha: Isso ajudou na carreira de técnico?
Vica: Com certeza. Desde a época de jogador eu já era um treinador em campo. Posicionava o lateral, os zagueiros. O técnico não precisava ficar gritando no banco.

Folha: O Ronaldo Marconato será seu capitão?
Vica: Eu acho que sim. O capitão tem que ter o respeito de todos no clube. O Goiano também é um cara assim, todo mundo adora ele.

Folha: Como essa sua amizade com o Branco pode ajudar o Londrina?
Vica: Eu vim para o Londrina por uma indicação do Sidiclei, que sabia que eu e o Peter tínhamos amizade com o Branco. O Peter ligou para o Branco, perguntou sobre mim e ele me elogiou. Então, o Peter chegou no Sidiclei e mandou me contratar. O Branco terá um papel muito importante na reestruturação do Londrina. Ele é coordenador das categorias de base da seleção e pode dar muitas dicas e orientação ao Peter. No futuro pode, com o trabalho bem feito, pintar uma convocação.

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