Baixo nível técnico apaga brilho dos JAP's
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sábado, 18 de setembro de 2004
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Foz do Iguaçu - Os Jogos Abertos do Paraná (JAP's) já não empolgam mais. Sem estrelas esportivas, a 47 edição da principal competição do Estado perdeu o brilho e chegou ao fim sem conquistar o público iguaçuense. O principal problema foi a falta de atletas de ponta, que chamassem a atenção do público para os Jogos.
O Paraná foi o estado que mais forneceu atletas à delegação brasileira que disputou a Olimpíada de Atenas 25 no total , porém, apenas um deles, o armador Jair, da equipe de handebol de Londrina, participou dos JAP's. Os outros encontraram fora do estado o empurrão necessário para seguirem a carreira. A maioria disputa os Jogos Abertos de São Paulo. A competição do estado vizinho é recheada de grandes atletas e atrai a atenção do torcedor e das TVs.
Nos nove dias de competições, o que pôde ser visto em Foz do Iguaçu foram jogos desequilibrados, a maioria deles entre equipes profissionais e amadoras. Com exceção do futsal masculino, que tem um campeonato estadual forte, no restante uma ou duas equipes, às vezes três, se destacaram.
No handebol masculino, por exemplo, há um abismo entre a equipe de Londrina e os adversários. Enquanto os londrinenses recebem salários, bolsas de estudos integrais em faculdades e têm uma estrutura de time que pretende brigar pelo título da Liga Nacional, os rivais contam apenas com a boa vontade de garotos que estão começando.
''Existe uma importação de atletas somente para os Jogos. Ninguém monta uma estrutura para que ele more na cidade e sirva de espelho para que outros garotos iniciem no esporte. Os JAP's se tornaram simplesmente uma competição de pontos em que você traz um atleta ou equipe para fazer x pontos. Isso é um fator preocupante'', analisou o técnico das equipes masculina e feminina de handebol de Londrina e dirigente do futsal, Giancarlos Ramirez.
O basquete masculino, depois de oito anos, ganhou um pouco de emoção. Não pelo fortalecimento de outras equipes, mas pelo enfraquecimento de Londrina. Foz do Iguaçu e Maringá se reforçaram, mas o equilíbrio se deu após a reestruturação do basquete londrinense, que foi para os JAP's com um time de garotos.
Assim foi em quase todos os esportes coletivos. Nos individuais a história não foi diferente. O fundista Elenilson Silva, de Maringá, medalhista de ouro nos 10 mil metros e de prata nos 5 mil nos Jogos Pan-Americanos de 1999, em Winnipeg, foi a estrela solitária. Ele conquistou o tricampeonato nos JAP's.
Para o chefe da delegação londrinense, Ariobaldo Frisseli, o Dedé, uma das alternativas para melhorar o nível técnico dos JAP's está nas mãos dos municípios. ''Falta fazer a manutenção dos atletas em seus municípios. Surge um talento em vários esportes, mas, por problemas financeiros, as cidades não conseguem mantê-los'', disse. ''No Paraná, se analisarmos em termos nacionais, somente o handebol e o basquete são competitivos. Talvez o futsal também.''


