Baianos dão show à parte nas finais
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quinta-feira, 03 de dezembro de 1998
Agência Estado 
A cada gol marcado, o atacante cruzeirense Alex Alves, baiano de Campo Formoso, faz questão de homenagear a terra natal com um golpe de capoeira, seu segundo esporte. Foi assim na vitória por 3 a 1 sobre a Portuguesa, domingo, no Mineirão. Nas semifinais paulista e mineira do Campeonato Brasileiro, Alex Alves e alguns conterrâneos têm ganho destaque e garantido um tempero baiano à competição.
Capoeira, samba e outras formas de expressão cultural da Bahia ganharam espaço na decisão do Brasileiro.
Ídolos do Corinthians, Edílson e Vampeta viraram, respectivamente, empresário e padrinho do Raça Pura, um grupo de pagode baiano que já chegou aos programas de televisão de São Paulo. Os jogadores aparecem nos cartazes de divulgação da banda. No mesmo fim de semana em que o Corinthians jogou contra o Vitória, em Salvador, pela fase de classificação do Campeonato Brasileiro, houve um show de lançamento do primeiro CD da banda - uma festa com a presença de vários jogadores do Corinthians, baianos ou não.
Além de ter reformado o cinema de Nazaré das Farinhas, cidade do interior em que nasceu, Vampeta é amigo de alguns músicos baianos. Foi o pagodeiro Alex, do Gerasamba, que intermediou o negócio com a revista G Magazine, publicação gay que terá Vampeta nu em uma futura edição. Edílson e Vampeta são companheiros inseparáveis em São Paulo, saem juntos, dividem o carro.
Fora de campo, todos os baianos são amigos e entendem-se muito bem. Tanto que a dupla corintiana recebe a companhia dos conterrâneos Oseas (centroavante) e Júnior (lateral-esquerdo), do Palmeiras.
O atacante Alessandro, um dos destaques do Santos, mantém a tradição baiana há anos. Nascido em Teixeira de Freitas, teve medo de continuar jogando no Japão, no ano passado, por ficar longe da farinha, da carne seca e do feijão. Lá, é tudo diferente, tem peixe cru, sashimi..., lembra. Por sorte, descobriu alguns mercadinhos brasileiros no Japão. Em Santos, ainda manda trazer comida da Bahia e, na vizinha São Vicente, descobriu uma deliciosa pamonha. Já avisou a novidade ao lateral-direito e conterrâneo Baiano, nascido em Capim Grosso.
Os baianos curtem um momento de glórias. Estou vivendo a melhor fase da minha vida, garante Alex Alves, de 23 anos. O prestígio pelos belos gols pode garantir a ele um lugar no time titular do Cruzeiro. O capoeirista também está namorando a modelo Nadja França, ex-Ronaldinho.
Aos 25 anos, o soteropolitano - chama-se a quem nasce em Salvador - Marcelo Ramos já marcou mais de cem gols com a camisa azul do Cruzeiro desde 95 e faz parte da história do clube. Companheiro de Alex Alves desde os tempos do Vitória, o goleiro Dida, que se recupera de uma contusão, é outro baiano ilustre do Cruzeiro, amante da culinária do Estado e casado recentemente com uma conterrânea.
Na França, Dida aumentou a lista dos baianos na Copa do Mundo, que tinha também Bebeto, Júnior Baiano e Aldair.


