Londrina, 05 (AE) - Com simplicidade e esforçando-se para conter a alegria, o jogador Baiano afirmou hoje que espera muita festa tão logo chegue à sua cidade-natal de Capim Grosso, no interior da Bahia. Autor de um lindo gol na partida em que o Brasil derrotou o Chile por 3 a 1, ele admite, porém, que não deverá desfilar em carro do Corpo de Bombeiros em Capim Grosso, a três horas de Salvador, por um motivo simples. "A minha cidade é muito pobre, nem tem bombeiro." Assim que deixar a seleção, Baiano vai se apresentar ao Santos, provavelmente na terça-feira, e iniciará a preparação para a disputa do Campeonato Paulista. Ele não acertou a data de visita aos amigos e parentes na Bahia.
Sobre o gol mais bonito que marcou, fez um comentário sincero e bem humorado. Ao receber a bola próximo à área e fingir que cruzaria da direita, resolveu dar um drible para dentro em Olarra e chutar com a perna esquerda, observando que o goleiro chileno Di Gregorio estava adiantado. "Já fiz muito essa jogada no Santos, mas na maioria das vezes a bola ia parar na arquibancada e eu recebia muitas vaias." Na noite de sexta-feira, ele quis arriscar de novo e obteve sucesso. "Vivo agora uma emoção muito grande", declarou Baiano, que começou a carreira como volante e já está habituado a atuar na lateral-direita.
Foi com o técnico Wanderley Luxemburgo no Santos, em 1997, que aprendeu a desenvolver a capacidade de ser "versátil" . "Com o professor, eu joguei mais de 60% das partidas pelo clube na lateral-direita e até em algumas oportunidades como lateral-esquerdo", contou. Na hora do gol que confirmou a presença do Brasil na Olimpíada de Sydney, Baiano ficou atordoado. "Não sabia para onde correr, aí o Alex me puxou e eu fui abraçar o Marquinho (Marco Moura, preparador físico)." Ele explicou que Marco Moura foi fundamental no seu trabalho de recuperação em Londrina - ao chegar à cidade, Baiano estava bem acima do peso ideal. O jogador sabe que a atual safra de laterais-direitos no País não é das melhores e, por isso, deve continuar atuando na posição.
"Sempre disposto a colaborar com os treinadores se me quiserem ver no meio também." Para Baiano, a conquista da vaga para a Olimpíada "foi um prêmio pela seriedade e profissionalismo" do grupo que pode amanhã ganhar o título do Torneio Pré-Olímpico. Sobre o jogo com o Uruguai, prevê dificuldades por acreditar que o adversário vai "tentar ao máximo apagar" o fracasso no quadrangular final da competição, em que sofreu duas derrotas. "Com certeza, vão querer descontar no Brasil o que não fizeram contra Chile e Argentina e todo cuidado é pouco."

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