Salvador - Aos 56 anos, Beijoca, um dos maiores atacantes da história do Bahia, acostumado a confusões e polêmicas quando jogava, caminha lentamente até o campo principal do Fazendão em que os profissionais treinam No caminho, é reverenciado por todos os torcedores Mais calmo, ele vai fazer o que todos os tricolores baianos gostariam: agradecer ao time a volta à Série A
Rodeado pelos responsáveis por resgatar o orgulho do Bahia, Beijoca discursa e chora como uma criança Também faz chorar Após oito anos de penúria e sofrimento, até com briga entre jogadores e a própria torcida, o campeão Nacional de 1959 e 88 está de volta à elite do futebol
''O Bahia só não acabou por causa da força de sua torcida e de Deus Eu vinha sofrendo desde aquele 7 a 0 para o Cruzeiro em 2003 (na Fonte Nova), quando caímos Eu vi o time descer, passar dificuldades e vexames Depois, fui auxiliar na Série C em 2007, quando subimos para a Série B e tinha de agradecer a eles o resgate de nosso orgulho'', conta Beijoca, emocionado
O atacante formou, ao lado de Gesum e Douglas, um dos maiores trios ofensivos dos anos 1970 e 80 Nos oito anos em que defendeu o Bahia, ergueu expressivas sete taças, fez muitos gols e participou de algumas confusões Hoje, evangélico, garante viver apenas na paz ''Era muita gozação, sofrimento, humilhação Todos chamavam a gente de time de terceira, dizendo que equipe assim não precisava nem de vestiários Nos maltrataram e chegaram a nos colocar para nos vestir após os jogos na rua'', comenta ''Eu chorava muito pelos cantos, não aceitava ver o meu Bahia naquele estado Hoje choro de orgulho ''
Time de torcida apaixonada e vibrante, o Bahia passou, nos últimos sete anos, momentos de agonia, carência de conquistas, foi alvo de chacota dos adversários e presa fácil para os oponentes Com menos receitas por estar em divisões menores, sofreu para montar bons elencos e tinha de encarar até 10 horas de viagens de ônibus por estradas esburacadas e mal sinalizadas para buscar o renascimento ''Parecia que tinha algo de errado dentro do Bahia, tudo o que fazíamos não dava certo'', lembra Saturnino Nepomuceno Lima, o massagista Satu, de 55 anos, 38 dedicados ao clube
A despedida do calvário baiano ocorreu sábado, diante do Bragantino (derrota por 2 a 0), em grande festa no Estádio do Morumbi, em homenagem aos milhares de torcedores que vivem em São Paulo Foi o prolongamento do carnaval que se iniciou no dia 13, com os 3 a 0 na Portuguesa Os amantes do futebol que se preparem, pois o grito de ''Bahêa, Bahêa'' agora será ainda mais forte por todo o País

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