Badalado, pôquer ganha espaço em Londrina
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domingo, 24 de janeiro de 2016
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local 
A transmissão ao vivo de torneios internacionais e a contratação de grandes nomes do esporte como garotos-propaganda impulsionaram a massificação do pôquer. A possibilidade de unir diversão, entretenimento e a chance de ganhar dinheiro têm levado cada vez mais pessoas a conhecer e praticar a modalidade.
Em Londrina, não é diferente. Fundada em 2014, a Associação LDB de Pôquer já tem mais de mil associados, de várias cidades da região e também do interior de São Paulo. A sede da entidade funciona todos os dias e oferece premiação em dinheiro em todas as rodadas e torneios. No ano passado, a associação organizou uma competição que ofereceu um prêmio de R$ 100 mil garantido, o maior já realizado na cidade.
Antes visto como um jogo à margem da legalidade e disputado nos salões de bares do Velho Oeste americano, o pôquer hoje é um esporte reconhecido, que realiza grandes competições internacionais, que paga fortunas em prêmios e atrai milhares de participantes, incentivados por nomes como Ronaldo, Neymar e Rafael Nadal.
"Temos de estudantes a aposentados frequentando a nossa associação. Por se tratar de uma modalidade individual, sem contato físico, todo mundo se torna igual em uma mesa de pôquer", aponta o presidente da associação londrinense, Alex Ueda.
O clube abriga jogadores amadores, que buscam recreação, e profissionais, que correm atrás das melhores premiações. Se engana quem imagina que o universo é apenas masculino. "Somos a associação que mais recebe mulheres no Paraná. Realizamos torneios voltados para elas e com inscrições gratuitas para atraí-las. O objetivo é que elas acompanhem os maridos e namorados e deixem o nosso ambiente cada vez mais familiar", frisa Oton Nampo, diretor de torneios da LDB.
Foi desta forma que a empresária Gláucia Follmann começou a jogar. "Eu vinha aqui e ficava só observando e aos poucos fui aprendendo as regras. Um dia resolvi jogar também e gostei. É divertido e uma forma de passar o tempo", revela. No fim do ano passado, Gláucia disputou um torneio em Maringá e faturou R$ 11 mil ao terminar em sexto lugar.
ESTRATÉGIA
Uma unanimidade entre todos os jogadores de pôquer é que a sorte passa longe de ser a determinante para quem ganha ou perde. "É um jogo muito técnico, que vai além de ter sorte ou não", ressalta o empresário Ronaldo Sandi. "É uma disputa de estudo, onde você precisa montar a sua estratégia, levando em conta a situação das cartas na mesa e também observando a ação dos adversários", ensina o fisioterapeuta Emerson Nunes, de 36 anos, que terminou 2015 como o líder do ranking da LDB e como prêmio recebeu R$ 10 mil.
A premiação dos torneios leva em conta o que é arrecadado de inscrição dos participantes. Do total, 80% é destinado ao prêmio, chamado de valor garantido, e, normalmente, 10% dos jogadores são premiados. "Aqui na nossa região, consideramos torneios bons aqueles que pagam entre R$ 50 e R$ 100 mil garantido", conta Rômulo Haruo, de 22 anos. O jovem começou a jogar há três anos, através da internet. Em 2014, foi campeão paranaense e, em 2015, disputou o mundial em Las Vegas. "Hoje a minha atividade é jogar pôquer. Quero seguir carreira e ser um jogador profissional", revela.
CONTAGIANTE
O casal Gilmar e Rosercy Dias se diverte junto no pôquer há quatro anos e garante que o esporte não passa de uma distração e entretenimento. "Além de se divertir, você desenvolve a estratégia e a paciência. O pôquer é contagiante, não viciante", garante o bancário, de 57 anos. "Tem o lado social também, onde fazemos várias amizades neste universo", relata a farmacêutica.
Ricardo Okada é membro do Conselho Fiscal da LDB e joga a modalidade há dois anos. Apesar do pouco tempo, já participou de dois mundiais nos Estados Unidos. "É muito fácil aprender pôquer. Você tem à disposição muitos livros, pode fazer aulas, aprender pela internet. Claro que ser um jogador de primeira linha demora, mas com dedicação se chega lá", ensina.


