São Paulo - Não são só os clubes cariocas que estão na berlinda no Campeonato Brasileiro. Junto com Flamengo, Fluminense e Vasco, uma geração que ficou famosa pelo ótimo futebol, temperamento forte e muitas confusões longe dos gramados passa por uma péssima fase.
Os mais famosos ''bad boys'' do País sofrem com lesões e decadência técnica. Assim, são incapazes de reverter o crítico quadro dos times do Rio de Janeiro.
Edmundo, 32 anos, e Marcelinho, 32, brigam muito entre si, mas pouco fazem para tirar o Vasco, antes da jornada de ontem, do 19º posto.
Pai de todos os ''bad boys'', Romário, 37, passa por longo período no estaleiro e vê seu Fluminense despencar para o 18º lugar. No Flamengo, Edílson, 31, e Felipe, 25, jogam por um time que entrou em rota descendente e terminou a rodada de quarta-feira no modesto 14º lugar da tabela.
Se o futebol desses astros não é mais o mesmo em 2003, fora de campos eles continuam, como sempre, sendo notícia. Edmundo e Marcelinho estão em guerra no Vasco. Os dois não trocam palavras e passes. Ontem, no dia seguinte a derrota para o Cruzeiro, só o segundo falou. ''O Vasco não se resume a dois jogadores, é todo um conjunto. Além disso, nome não ganha jogo. Temos que parar de falar e trabalhar bastante'', disse Marcelinho sobre a, até agora, fracassada dupla com Edmundo.
Além dos dois, o Vasco contratou recentemente Beto, famoso pelas noitadas, e ainda cogitou trazer Djalminha, outro sócio famoso do clube dos ''bad boys''. No Flamengo, a torcida queixa-se das seguidas ausências de Edílson e Felipe. O segundo tentou voltar na semana passada, contra o Juventude, mas se machucou de novo e reclamou. ''Todo mundo sabia que eu não estava curado, que joguei no sacrifício. Mas o Flamengo precisava'', disse o meia/lateral.
Edílson, que passou em branco nos quatro jogos que fez pelo Brasileiro, foi vaiado na derrota diante do Fortaleza. Antes dessa partida, prometia reverter a fase ruim. ''Eu não me conformo com o que estou jogando. Fico triste, angustiado. Acho que, a partir do jogo contra o Fortaleza, meu verdadeiro futebol vai aparecer'', disse, em promessa não cumprida.
Depois de uma apagada passagem pelo Qatar, Romário voltou ao Fluminense como salvador da pátria, mas uma lesão no joelho o tirou de ação nas três últimas rodadas do Brasileiro.
Sua recuperação causou uma crise nas Laranjeiras. David Fischel, presidente do clube, exigiu que o jogador fizesse o tratamento na sede do clube, mas Romário preferiu realizar os trabalhos na praia da Barra da Tijuca.
Se o presente dos ''bad boys'' é medíocre, o passado desses jogadores no Brasileiro é brilhante. Edmundo, Marcelinho, Romário, Felipe, Edílson e Beto têm recordes históricos e títulos no mais importante campeonato de futebol do País.
Além de currículos de sucesso, os ''bad boys'' têm em comum a preferência por contratos com clubes cariocas. Romário já defendeu Vasco (onde iniciou sua carreira), Flamengo e Fluminense. Edmundo passou pelos dois primeiros, assim como Marcelinho e Felipe. Mas ninguém supera Beto agora no Vasco. Ele já defendeu Flamengo, Fluminense e Botafogo.

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