Azulão a um passo do Mundial
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terça-feira, 30 de julho de 2002
Wagner Vilaron<br> Agência Estado 
São Paulo - Chegar a decisões, nos últimos três anos, se tornou uma rotina para a comissão técnica e jogadores do São Caetano. Assédio da imprensa e de torcedores, tensão, ansiedade, viagens, estádios cheios, enfim, tudo o que envolve uma final deixou de ser novidade. Só falta um detalhe, exatamente o mais importante: o título. E para acabar com o estigma do vice que tanto os incomoda, resultado de duas derrotas consecutivas em finais de Campeonato Brasileiro (2000 contra o Vasco e 2001 diante do Atlético Paranaense), o alvo foi o trabalho extra-campo. ''Agora vai! O momento é do São Caetano'' é o discurso geral.
Trabalho extra-campo significa, em outras palavras, cuidado com o aspecto emocional do grupo. E não é para menos. Um simples empate hoje à noite, às 21h45, no Pacaembu, contra o Olimpia, faz da equipe do ABC a campeã da Taça Libertadores da América (os brasileiros venceram a primeira partida, em Assunção, por 1 a 0), situação que, até pouco tempo, era inimaginável até para o torcedor mais fervoroso. ''Perdemos as duas decisões talvez pela inexperiência. Faltou tranquilidade em alguns momentos'', explicou o técnico Jair Picerni.
E para afastar a chance de nova frustração, o treinador teve de atentar para um ponto até então desconsiderado em seus bate-papos com os atletas: a humildade. Explica-se. Por ser o São Caetano um clube considerado ''pequeno'', uma das maiores preocupações da comissão técnica sempre foi evitar que esse complexo de inferioridade contaminasse o grupo. ''Em nossas conversas, falamos 80% sobre o São Caetano e 20% a respeito do outro time. Se falarmos mais dos outros, os jogadores vão valorizar mais o adversário'', dizia Picerni antes do jogo no Paraguai.
Mas a vitória no primeiro jogo provocou uma nova situação. Diante do clima de 'já ganhou', o técnico precisou agir na contramão. Na última semana, o tom das conversas mudou. ''Falei para eles (jogadores) que não podemos entrar no campo achando que já ganhamos a competição. É preciso valorizar o Olimpia, que é um time muito rápido e habilidoso'', afirmou Picerni. ''E olha, baixar a bola da moçada dá mais trabalho do que erguer.''
Ontem o São Caetano fez seu último treino no CT do São Paulo, na Barra Funda. Pelo menos com relação à escalação, Picerni está tranquilo. Sem contusões ou jogadores suspensos, poderá entrar no campo com o que tem de melhor. E nem mesmo os jogadores do São Paulo conseguiram ficar indiferentes à presença do visitante. Alguns, entre eles o meia Kaká, pentacampeão com a seleção, confessaram sentir uma 'inveja saudável' da situação vivida pela equipe do ABC.


