Depois de pedalar 715,6 quilômetros por rodovias e cidades do Norte do Estado, os quase 100 atletas participantes da Volta Ciclística Internacional do Paraná finalizaram a prova na manhã de ontem, em Rolândia. E o resultado foi uma surpresa: o ciclista de São Caetano do Sul (SP), Raul Cançado, surpreendeu os líderes e foi o campeão desta sexta edição da prova considerada uma das mais difíceis do Brasil. Já a etapa de ontem foi vencida pelo curitibano Alex Arseno. O público, mais uma vez, valorizou a festa.

Cançado largou ontem para percorrer os 102 quilômetros da quinta e última etapa da Volta com uma diferença de 31 segundos para o líder até aquele momento, Marcelo Novello, que tinha apenas 12 segundos de diferença para o chileno Pedro Santos. Os dois favoritos, no entanto, sabiam que a boa performance na etapa de Rolândia seria decisiva na conquista pelo título, uma vez que a diferença de tempo do primeiro ao sexto colocado era de apenas um minuto.

Procurando um bom resultado, a equipe de Cordeirópolis (SP), formada por 12 ciclistas paranaenses entre os 13 integrantes, fez um belo trabalho conjunto e conseguiu desgarrar na ponto logo nas primeiras voltas. A estratégia deu certo e acabou coroando Arseno com a vitória da etapa. ''A gente tentou lançar o grupo para buscar a vitória e quem sabe conseguir o objetivo que era a vitória geral mas infelizmente não conseguimos'', lamentou o curitibano que até o ano passado corria pelo time de Ponta Grossa, que acabou por falta de patrocínio.

Mas o mais feliz entre todos os participantes foi mesmo Cançado, que, mesmo correndo por fora, provou estar bem vivo na competição. ''Sabia que tudo era possível e acordei confiante comigo mesmo, mas teve o trabalho da equipe também que foi fundamental'', comemorou.

Ontem ele chegou em quinto mas foi beneficiado por sua regularidade nas etapas anteriores. Cançado considerou que atualmente a Volta do Paraná, que vale pontos para os ranking nacional e internacional, é uma das mais duras de todo o País por causa das condições do terreno - muitas subidas e descidas e buracos nas pistas - e do clima frio. A classificação geral foi completada por Eduardo Solis, Marcos Novello, Douglas Bueno e José Eriberto Rodrigues.

Torcida

Do lado de fora da pista, o público mais uma vez compareceu logo de manhã para torcer principalmente pelos paranaenses. Num cantinho da grade de proteção, o pequeno empresário Pedro Farina curtia cada lance da disputa. ''Acordei cedo e deixei todo mundo dormindo só para acompanhar a prova'', confessou.

Apaixonado por bicicletas, Farina contou que tem uma coleção com cinco ''magrelas'' em casa. E quer aumentar a coleção com uma ''Prosdóscimo 1951'' que pertenceu ao pai, José Farina, falecido há três anos: ''Ela está com meu tio e já falei que se for vender quero comprar porque é uma herança que tem que continuar na família''.

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