Aventura radical ao sabor do vento
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terça-feira, 11 de abril de 2006
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Ao sabor dos ventos, a vela infla e os pés saem do chão. Ajeitado confortavelmente em um assento especial, o corpo parece perder peso, ganha o céu e se aproxima das nuvens e aves. À primeira vista, a sensação causada pelo vôo de parapente é estranha, mas basta o cérebro se acostumar a ver o mundo de outro ângulo que uma espécie de alívio toma conta do espaço. Para quem gosta de esportes radicais e mora em Londrina e cidades próximas, o momento é mais do que propício para iniciar uma aventura. Desde setembro do ano passado, está em funcionamento na cidade um curso de parapente que em três meses prepara o praticante para voar sozinho.
As aulas acontecem sempre aos sábados e domingos e o curso dura 12 finais de semana. Com quase 15 anos de experiência, o professor-instrutor do ''Grupo Voar Londrina'', Ederson Gil de Melo, lembra que o parapente é um esporte radical e, por isso, existem riscos.
O que se faz é estudar e ''calcular'' esses riscos para que tudo saia como planejado principalmente durante o procedimento de decolagem, momento mais crítico para os praticantes da modalidade que usa apenas uma vela semelhante a um pára-quedas e fios ligados ao assento onde o piloto traça o vôo conforme a direção do vento. O professor avisa que ninguém sai voando já na primeira aula.
Além da parte prática, o curso também conta com conteúdo teórico que também é fundamental: nas aulas teóricas o aluno recebe noções de meteorologia para conseguir reconhecer e identificar as correntes de vento e as condições ideais para voar; aprende até noções de primeiros-socorros para agir em caso de acidente. Outra regra inquebrável é que nunca se voa de parapente sozinho.
''Quando se faz o curso, você começa a olhar para o céu e ver estradas, porque as nuvens formam fileiras, corredores, que indicam boas condições para voar'', explica o piloto Ramon Zangelmi da Nóbrega, praticante de parapente há três anos. Ele diz que o esporte é bastante seguro se praticado com responsabilidade.
Problema mesmo, ele brinca que só tem em casa: ''Às vezes, a esposa briga e quer jogar o equipamento fora, mas dá para negociar e continuar deixando do lado da cama''. E parece que o gosto do esporte é contagioso. A filha de Ramon, Ingrid, de apenas 10 anos, já luta para convencer o pai a deixá-la pilotar. ''A gente conhece o mundo lá de cima e é bem mais diferente. É bem mais bonito'', valoriza a menina.
E o gosto desses aventureiros pelo parapente é tamanho que eles até já garimparam uma pista de decolagem há poucos quilômetros de Londrina. Um morro com mais de 90 metros da fazenda Itaúna (região Leste) foi gentilmente cedido pelo proprietário da área, Márcio Silva, e deixou de ser ocupado apenas por vacas e cavalos. Durante os finais de semana, o lugar é habitado também por uma turma de ''malucos'' pra lá de animada.


