AVENTURA A REMO NA JURÉIA
A batida dos remos afundando na água do calmo Rio Guaraú ditam o ritmo dos oito quilômetros que nos separam da Cachoeira do Itu, nas imediações da fantástica Estação Ecológica de Juréia-Itatins. À medida que mergulhamos no denso manguezal surpreendemos a bicharada que reage cada qual de sua maneira: as gaivotas batem em bonita revoada, as garças umas brancas outras azuis! esticam o fino pescoço e de longe nos acompanham desconfiadas, caranguejos iniciam a correria sobre galhos e troncos na beira do rio e a algazarra de pequenos papagaios verdes dão o alarme na floresta...
Encontramo-nos em Guaraú, bairro afastado da cidade de Peruíbe, no litoral sul do estado de São Paulo. Aqui se respira vida. Sobre canoas canadenses sondamos a fronteira da restrita Estação Ecológica, uma categoria de unidade de conservação que apenas permite o uso de 10% de sua área, que abrange cerca de 80 mil hectares, para pesquisa e educação ambiental. O restante é conservado, portanto, fechada à visitação. Um dos poucos redutos naturais remanescentes no planeta.
Canoas na água
A odisséia foi organizada por Remo Eckert, proprietário da agência de aventuras Ecoadventure, atuante a região há seis anos. Seis foram os aventureiros que se reuniram, três turistas e três locais divididos aos pares em três canoas canadenses. Recebemos as instruções do nosso guia, Mauricio Pipau, e partimos da base da agência pelo Ribeirão Guaraú, que se une na foz do rio de mesmo nome, no canto esquerdo da Praia de Guaraú. A previsão era de sol e temperatura agradável e o prometido foi de que não voltaríamos antes de seis horas quatro no percurso (ida e volta) e mais duas na cachoeira.
Já na primeira meia hora de remada, os braços se acostumam, parecem alienados, como se nós, meros iniciantes, fôssemos atuantes remadores desde garotinhos... A canoa de cinco metros, com o peso de duas pessoas, flui veloz pelo curso do rio. Ao passar pela foz, começamos a subir, entranhando-nos na serra. A virgindade do lugar cativa. Morros cobertos de verde contrastam com o tom mais claro do mangue e o azul do céu... A expressão da minha parceira de remo, à frente, a local Denise Souza (21), é de admiração e bem estar: Morrer pra quê?, brincava...
Em determinados trechos, Denise acorda e imprime forte ritmo, não quer ficar para trás. O ideal é que a remada seja sincronizada, no mesmo tempo. Isto torna a canoa mais estável e rápida, exigindo menos dos tripulantes. Neste caso, a dureza ficou para o iniciante que vai atrás, na tentativa de acompanhar a desenfreada colega... A responsabilidade do que vai na popa (parte posterior do barco) é a de dar o leme. Afundando lateralmente o remo e empurrando o praticante direciona a canoa para um lado. Repetindo a dose no lado oposto, a embarcação tende a virar para o outro. Em curvas mais abertas, a dica é remar no lado inverso da direção a seguir. O melhor mesmo é aprender na prática.
Acesso inusitado à cachoeira
Após uma hora e meia de remada topamos com um igarapé, um canal estreito cheio de curvas: a saída para a cachoeira. Ali realmente se aprende a dar o leme! Sofremos com o labirinto: várias foram as entubadas em ásperos galhos, por conta da minha inexperiência no timão... Faz parte. Passados os obstáculos, amarramos as canoas numa prainha e seguimos por uma trilha de uns 200 metros. Chegamos a uma piscina natural limpíssima, só que gelada, dada pela época do ano e por ser uma área sombreada pela fechada floresta que nos rodeava. O som da pequena cachoeira anunciava sua proximidade. Nos refrescamos e seguimos Pipau nadando por um túnel embaixo dágua, passando por uma enorme pedra. A saída era para uma outra piscina, a que acolhia a pequena queda dágua do Itú. Existe a opção, que os friorentos preferiram, de chegar à cachoeira por uma trilha.
Nossa volta foi mais demorada, aproveitamos para curtir o visual e tirar fotografias. Mais garças azuis, caranguejos, gaivotas, verde, água, vida...





