Avança acordo para pôr fim ao contrato da SAL com Londrina
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quarta-feira, 06 de janeiro de 1999
Nelson Cilo 
A Sociedade Amigos dos Londrina (SAL) e os atuais dirigentes praticamente selaram o acordo que deve colocar um ponto final no contrato de terceirização entre o clube a entidade liderada pelo empresário e vereador de Jataizinho Marcos Alexandre Domingues. A SAL assumiu o futebol profissional em 1996, mas saiu temporariamente de cena durante a Série B do Campeonato Brasileiro, passando a comandar apenas o Departamento Amador. No entanto, o grupo mantém poderes legais para retomar a administração até o ano 2000.
O presidente do Conselho Deliberativo, Antonio Amaral, reuniu-se ontem à tarde no escritório de Marcos Alexandre para delinear verbalmente os detalhes do rompimento da terceirização. Na manhã de hoje, haverá outro encontro. É aguardada a presença de Fábio Scaff, um dos dirigentes da SAL, que viria ontem à noite de Camboriú, litoral catarinense.
Nas três reuniões anteriores, houve divergências quanto aos critérios que permitiriam o acerto. Agora, porém, os dois lados cederam e parecem ter chegado a um consenso. A SAL, que cobra o ressarcimento do dinheiro investido no Londrina - cerca de R$ 900 mil - concorda em receber um percentual, até que a dívida esteja zerada, em cima das eventuais vendas dos passes de atletas dos juniores. Todos eles ficarão à disposição do Londrina para a temporada-99. O acordo preliminar prevê que a SAL também pode negociá-los.
Amaral disse que aguarda o levantamento da dívida que a SAL pretende mostrar na sexta-feira. Do total de aproximadamente R$ 900 mil, Marcos Alexandre garante que colocou R$ 260 mil do próprio bolso e Scaff, mais R$ 150 mil. O presidente da SAL conta que o desfecho só depende de se encontrar uma forma jurídica - em outras palavras, um contrato - que corresponda aos itens discutidos na reunião de ontem. O aval do diretor-jurídico da SAL, Mauro Viotto, que permanece em Camboriú, facilitou o entendimento entre Amaral e Marcos Alexandre. Ainda falta ouvir a palavra de Scaff.
Viotto explicou que a SAL não mantém nenhum interesse em tocar o futebol profissional do Londrina, negando uma possível resistência do grupo em pôr fim ao contrato de terceirização. Só podemos resolver os conflitos na base do diálogo. As pressões não nos assustam, comentou. Viotto considerou sem fundamento e irresponsáveis as notícias de que a SAL estaria se recusando a relacionar os comprovantes dos valores supostamente gastos no Londrina. Só não iremos detalhar as despesas ao Célio Guergoletto (coordenador-geral do clube), que não tem autoridade para exigir nada. Na hora certa, mostraremos tudo ao Zé Café (presidente do Londrina) e ao Antonio Amaral (presidente do Conselho Deliberativo), que detêm hierarquia no clube. Não daremos explicações a mais ninguém, afirmou Viotto.
Viotto reagiu à ameaça de Amaral de recorrer às vias judiciais, caso não se resolvesse tudo na base do diálogo, garantindo que isso não iria intimidar a SAL. No entanto, os dois evitaram maiores confrontos e trocaram elogios. Estranhei que o Amaral falasse em recorrer às vias judiciais. Tanto é que dei a ele carta branca para negociar a transição. Se aparecer alguém que assuma o Londrina, saímos na hora. Basta pagar o que nos devem. Queremos o bem do Londrina.
Se a rescisão do contrato da SAL for mesmo oficializada, Amaral irá convocar o Conselho Deliberativo para referendar o acordo. Amaral disse ontem que pretende indicar o vereador Célio Guergoletto como o homem forte do futebol. Caso seja confirmado no cargo, Guergoletto, que passa férias em Camboriú e volta à cidade nos próximos dez dias, anunciará, em entrevista coletiva, o nome do influente empresário que lideraria o novo grupo responsável pelo futuro do clube.


