São Paulo - Paulo Autuori, através de um telefonema às 16h30, comunicou ontem a Marcelo Portugal Gouvêa, presidente do São Paulo, que havia aceitado a oferta do Kashima Antlers para ser gerente do clube japonês, com direito à indicação do novo treinador, que substituirá Toninho Cerezo, campeão em 2004.
Estava rompida, assim, uma parceria de 53 jogos (25 vitórias, 11 empates e 17 derrotas) que resultou na conquista da Libertadores da América e do Mundial de Clubes da Fifa.
Segunda-feira, Autuori, em reunião com a diretoria, comunicou ter uma oferta dos japoneses, mas que ficaria no São Paulo. Ontem, pela manhã, telefonou novamente, e disse que a oferta havia aumentado, e que ele se reuniria com a família para decidir o que fazer. À tarde, deu o último telefonema.
Gouvêa mostrou-se surpreso com a decisão. ''Não dá para entender. A gente trabalha junto, ganha tudo e o treinador sai. É a segunda vez neste ano'', disse referindo-se a Emerson Leão, que deixou o clube após a conquista do título paulista.
Juvenal Juvêncio, diretor de futebol, no site oficial do clube, elogiou Autuori. ''Desejamos-lhe muita sorte, pois além de vencedor, sempre foi uma pessoa muito digna e correta.''
A solução natural é Muricy Ramalho, de 50 anos. ''É lógico que o Muricy é a primeira opção, desde que não peça um caminhão de dinheiro'', afirmou Marco Aurélio Cunha, há quatro dias, quando apareceram os primeiros boatos sobre a possível saída de Autuori.
Muricy, vice-campeão brasileiro pelo Inter, tem história no São Paulo. Entre 94 e 97, dirigiu o time em 108 jogos, com 55 vitórias, 33 empates e 20 derrotas. ''Substituí o Telê (Santana), que ficou enfermo, e tive de tratar da renovação do time. Não ganhamos títulos, mas lançamos jogadores como Denilson, Dodô e Rogério Ceni.''
Ele diz que não foi procurado pelo São Paulo. ''Houve convite quando o Leão saiu, mas tinha contrato com o Inter. Agora, estou livre e podemos conversar. Se der certo, será uma honra''.

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