Rio de Janeiro - Principal preocupação do COI (Comitê Olímpico Internacional) em relação aos Jogos de 2016, a Autoridade Pública Olímpica (APO) terá o formato de um consórcio. Será a primeira vez que o governo federal usa esse modelo desde a criação da lei em 2005, que regulamentava os consórcios públicos.
O anúncio foi feito pelo ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., o preferido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comandar o novo órgão. Pelo modelo adotado, a autoridade olímpica poderá contar, em tese, com empresas privadas como sócias. Já o modelo de agência, que também era estudado pelo governo, não permitiria a entrada da iniciativa privada na associação.
''Estamos finalizando o protocolo de intenção para enviar ao Legislativo. Nele, vamos definir claramente as tarefas de cada um. O país tem dezenas de consórcios municipais, e o governo decidiu adotar este modelo agora pela primeira vez'', disse o ministro do Esporte.
A ideia de Silva Jr. é criar a APO antes de 18 de maio, quando o COI fará sua segunda inspeção no Rio. A data desrespeita o prazo estabelecido pelo comitê, que exigia a criação da entidade até 2 de abril.
Associação de direito privado sem fins lucrativos, o consórcio reunirá os governos federal, estadual e municipal. A APO vai coordenar praticamente todas as obras do evento, orçado em cerca de R$ 28 bilhões.
A criação da APO é uma tentativa política para evitar a repetição do fiasco das contas públicas do Pan-07, quando o governo federal teve que socorrer o Estado e a Prefeitura do Rio.
Em 2002, ano em que o Rio foi escolhido como sede do Pan, a União, o Estado e o município afirmaram por escrito que, juntos, gastariam R$ 409 milhões. O evento custou R$ 3,7 bilhões.
O desembolso da União cresceu mais de dez vezes (de R$ 138 milhões para R$ 1,8 bilhão). A fatia da prefeitura pulou de R$ 239 milhões para R$ 1,205 bilhão (404%). Já o gasto do Estado saltou de R$ 31 milhões para quase R$ 700 milhões.

mockup