Mogi das Cruzes, SP, 29 (AE) - O Instituto Médico Legal de Mogi das Cruzes divulgou hoje laudo em que atesta que o carateca Alan Moreira da Silva, de 15 anos, morreu de causa indeterminada. Os legistas recolheram material para exames mais detalhados, que só deverão ficar prontos em dez dias. Alan morreu no domingo depois de sofrer uma queda durante uma luta no Torneio Inter-regional de Kyokushin Oyama, um estilo mais agressivo de caratê, disputado na Universidade Brás Cubas, em Mogi das Cruzes.
O organizador da competição, Marcos Furlan, não acredita que o lutador tenha morrido em função do golpe que tomou de Everton Vicente Teixeira, de 17 anos. "Ele tomou um golpe legal, que passou raspando o seu rosto", diz o professor de caratê. "A competição é organizada há 25 anos e nunca tivemos nenhum tipo de problema."
Alan caiu desmaiado após o golpe e teve parada cardíaca. Foi levado para o Hospital das Clínicas de Mogi, onde os médicos tentaram reanimá-lo por quase uma hora. As radiografias feitas no hospital não constataram nenhum traumatismo na cabeça.
A família de Alan garante que o carateca nunca reclamou de problemas de saúde, mas que ele estava muito ansioso para a competição de domingo. "Ele estava nervoso, tinha vomitado e havia dois dias que não se alimentava", lembra Érica Moreira da Silva, irmã do carateca. "Ele não estava nem dormindo direito."
O presidente da Confederação Brasileira de Caratê, Edgar Ferraz, não fez comentários sobre o acontecido. Ele lembra que o estilo Kyokushin Oyama tem uma associação própria, ligada à Federação Paulista de Luta de Contato, e não é supervisionada por sua entidade. "Não temos nenhum controle sobre eles", comenta o dirigente, que lamenta a morte do adolescente. "Fico triste com o acontecido e com o fato de estes tipos de ocorrências sempre afetarem a imagem do caratê como um todo."
Ferraz aproveita para fazer um alerta. "O Ministério dos Esportes e do Turismo permite que ligas e associações funcionem sem controle", observa. "Isso é mais grave ainda no caso de lutas", prossegue. "No caso específico do Kyokushin, porém, a entidade é séria."

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