Enquanto o público torce e vibra, na pista os pilotos e suas máquinas dão um show de velocidade. Voam baixo e travam disputas acirradas em busca de um lugar no pódio. Nos boxes, depois de muito trabalho para chegar ao melhor acerto dos carros, engenheiros e mecânicos acompanham cada detalhe, torcem pela equipe e ficam de prontidão para qualquer imprevisto.
Ao mesmo tempo fiscais de provas, funcionários, paramédicos, entre outros profissionais, acompanham atentamente, para garantir que tudo ocorra em segurança e dentro das regras.
Mas "montar" esse espetáculo e manter toda a sua temporada, obviamente, não é fácil. Patrocínio, divulgação, um grid numeroso e bem disputado, além de outras "peças", são fundamentais, e em muitos casos basta tirar uma delas para travar o sucesso de uma categoria de automobilismo.
Um bom exemplo disso foi o encerramento das atividades do Campeonato Brasileiro de Endurance Top Series, logo após a etapa de Londrina, em outubro, quando faltavam apenas duas etapas para o fim da temporada.
De acordo com Marcello Sant´Anna, presidente da empresa que assumiu a organização no início do ano, a Auto +, o retorno de mídia com o evento foi excelente, superando R$ 31 milhões em apenas seis meses de temporada. Além disso, segundo ele, a categoria é uma das mais acessíveis para os pilotos. "Uma equipe média da Stock Car tem orçamento estimado em R$ 150 mil por etapa. As corridas da Top Series chegavam no máximo a 30% desse valor, isso para os carros mais caros, que eram minoria", explica.
Mas faltou algo fundamental: os pilotos. De acordo com Sant´Anna, cada esportista alegou um motivo, mas o fato é que o grid teve uma queda de 43%. "Infelizmente o número de pilotos interessados em disputar o Endurance foi muito pequeno e depois da etapa de Londrina decidimos encerrar o projeto, que não tinha mais perspectivas para 2013", declarou.
Felizmente, dias depois, a Confederação Brasileira de Automobilismo anunciou que estava assumindo a organização do campeonato. "Fizemos isso única e exclusivamente pelos pilotos que restaram, já que eles não têm culpa se outros desistiram", disse o presidente da Comissão de Velocidade da CBA, Waldner Bernardo.
Outra categoria bem conhecida e que foi descartada é a Fórmula Futuro, criada pelo piloto Felipe Massa em parceria com o empresário Carlos Romagnoli. Na época, em 2010, a categoria surgiu junto com o campeonato de turismo Trofeo Linea, que atualmente é chamado de Copa Fiat. Com a F-Futuro, o objetivo era proporcionar uma categoria intermediária para os pilotos em início de carreira, principalmente aqueles que queriam migrar do kart para o automobilismo profissional.
A Fórmula Futuro durou dois anos, mas na temporada do Racing Festival de 2012 já não estava no calendário, por falta de patrocínio e também pilotos. "Ela saiu por falta de piloto, mesmo tendo custo baixo. Além disso, nosso projeto federal para captação de recursos junto às empresas não foi aprovado. Um absurdo, pois ajudaria a baixar ainda mais o custo da categoria", explica Romagnoli.

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