Automobilismo - Bons na escola e nas pistas
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domingo, 05 de março de 2017
Marcos Roman<br>Reportagem Local 

As atividades formativas para a maioria dos estudantes se encerraram na última sexta-feira. Mas para crianças que participam do projeto Bom Aluno em Londrina a manhã do último sábado foi reservada para um teste bastante concorrido. Elas trocaram a sala de aula pela pista do kartódromo da cidade e passaram por uma avaliação realizada pela Federação Paranaense de Automobilismo com o objetivo de obter a carteira de piloto que permitirá a participação em campeonatos regionais e nacionais da modalidade.
"Criamos esse projeto há um ano e meio com o objetivo de incentivar a formação de novos pilotos de kart em Londrina. Escolas públicas e privadas da cidade podem participar das atividades indicando alunos que se destacam pelas boas notas e bom comportamento dentro da sala de aula", explica Samuel Júnior, coordenador do projeto Bom Aluno e integrante Associação dos Kartistas de Londrina e Região.
Segundo ele, a ideia surgiu devido à escassez de pilotos da categoria mirim dentro da região metropolitana de Londrina. "Essa categoria é composta por crianças na faixa etária de 7 a 9 anos e há dois anos não tínhamos pilotos com essa idade. Agora já temos 15 participantes. Como o kart é a porta de entrada para o mundo automobilístico, através dele pretendemos formar novos pilotos para, quem sabe, futuramente disputar campeonatos profissionais", ressalta.
Despesas
O coordenador esclarece que as crianças indicadas por meio do projeto Bom Aluno têm a oportunidade de participar de corridas durante algumas semanas antes dos pais começarem a arcar com os custos do esporte. "Infelizmente, o kart é caro. Para praticá-lo é necessário a compra ou aluguel de um carro que custa, em média, R$ 3 mil, além da aquisição de equipamentos como capacete e macacão ao custo de cerca de R$ 1 mil e dos gastos com gasolina, pneu e espaço para guardar o carro. Pelo projeto, a criança pode treinar no kartódromo por cerca de um mês que é para ver se realmente se adapta ao esporte. Depois desse período, os pais terão que arcar com as despesas", informa.
De acordo com o Presidente da Federação Paranaense de Automobilismo, Rubens Gatti, a partir de seis meses de treinos a criança já pode passar pela avaliação que permitirá a concessão da carteira de piloto. "Os carros de kart são bastante estáveis e oferecem poucos riscos às crianças, que precisam aprender apenas a controlar o volante do carro, acelerar e frear o veículo que chega a atingir a velocidade de até 90 quilômetros por hora. Com poucas semanas de treinos elas já conseguem dar suas primeiras voltas nas pistas. Na avaliação que fazemos para a concessão da carteira de piloto avaliamos questões práticas e teóricas que inclui testes de sinalização", detalhou.
O londrinense Pedro Saderi, 20 anos, passou por essa experiência e garante que vale a pena. "Entrei no kart com 11 anos e não pretendo sair nunca mais. Em 2012 fui campeão paranaense de kart e campeão da copa sul. Também já fui vice-campeão sul brasileiro por duas vezes. A gente acaba se viciando na adrenalina do esporte. Sou apaixonado pelo automobilismo", ressalta o piloto, que no momento está afastado das pistas para tratar de uma hérnia de disco.
Já o gestor de tecnologia Edson Domingues adotou o kart como hobbie há dois anos e acabou tendo como companheiro de esporte o filho Pedro, 9, que pratica o esporte desde o ano passado pelo projeto Bom Aluno. "A gente vem pro kartódromo todos os finais de semana. A mãe dele fica meio apreensiva, mas eu acho que um esporte seguro. E a gente acaba se divertindo juntos", destacou.
Apesar do medo de acidentes, o técnico de antenas Sebastião Machado tem incentivado o filho Danilo, 7 anos, a continuar com as aulas de kart. "A gente vê crianças tentando controlar uma máquina e fica com receio. Mas acompanhando de perto o medo começa a diminuir. No fundo é uma grande diversão", enfatizou o pai. "O kart é muito legal. Quero continuar correndo e melhorar cada vez mais, mas ainda não sei se um dia me tornarei piloto profissional", adianta o filho.
Das 15 crianças que passaram pela avaliação no último final de semana, 12 conseguiram obter a carteira de piloto de kart. De acordo com dados da Federação Paranaense de Automobilismo, o Paraná possui atualmente 12 pistas de kart e é o estado com maior número de pilotos da modalidade no País. "Temos 350 pilotos filiados no Estado. Em segundo lugar vem São Paulo, com cerca de 300; e o Rio Grande do Sul, com aproximadamente 200. O Paraná tem maior representatividade na área justamente por incentivar a formação de novos pilotos pelo interior do estado, ao contrário de outras regiões que acabam concentrando as atividades apenas nas capitais", argumenta Rubens Gatti.


