Autódromo está pronto para ser terceirizado
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segunda-feira, 01 de dezembro de 1997
Alberto Macedo 
Josoé de CarvalhoMarcos Albuquerque, Alosyio Moreira e Beto Borghesi, da comissão que administra o autódromoInaugurado em 23 de agosto de 92 pelo prefeito Antônio Belinati e tendo sediado até agora as principais provas brasileiras e sul-americanas, o Autódromo Internacional Ayrton Senna, sairá das mãos da Prefeitura de Londrina. Após a posse de Belinati este ano, foi criada uma comissão para administrar o autódromo, e preparar o mesmo para a terceirização, que deverá acontecer em breve.
A criação desta comissão e a certeza da terceirização do autódromo caiu como uma bomba na cabeça de muita gente na cidade ligada ao automobilismo, que passou a criticar os atos da comissão. À princípio se falou que o tricampeão mundial de Fórmula 1, Nelson Piquet, poderia ser um dos interessados em participar da licitação, quando a mesma fosse aberta. Houve uma grande reação contrária, pois muitos não querem que o autódromo seja terceirizado, enquanto outros acham que quem assumir o controle deverá ser, de preferência, de Londrina.
Entre as atribuições da comissão estão a contratação de eventos, negociação de contratos publicitários, fixação das taxas de uso do autódromo, contratação de serviço de terceiros, acompanhar os serviços administrativos, fiscalização e auditoria contábil, elaboração de calendário anual de eventos, representar o autódromo e colaborar com o fornecimento de dados necessários para a terceirização das atividades do mesmo.
Para esclarecer as dúvidas e mostrar o que vem sendo feito pela comissão, três integrantes da mesma, Beto Borghesi (presidente), Aloysio Moreira e Marcos Albuquerque estiveram na Redação da Folha. Os demais integrantes são Tazzio Borghesi, Celso Contato, Eduardo Duarte Ferreira (secretário de assuntos jurídicos da prefeitura) e Carlos Alberto Affonseca e Silva (auditoria permanente do município).
Folha:O que de concreto esta comissão já realizou no autódromo?
Comissão: A nível de mudanças, fizemos a chicane na curva da caixa dágua, que melhorou muito o circuito, pois era um ponto que os pilotos reclamavam muito, além de um regulamento próprio do autódromo. Nosso maior trabalho agora é na confecção de um plano piloto para o circuito, que consta de arborização, construção de arquibancadas, além é claro, de preparar a terceirização.
F:Como a comissão toma as decisões?
C:Aqui a maioria decide. Temos ainda o Weimar Batistote, que é o representante da prefeitura junto a comissão e o Celso Contato, que dirige o autódromo e que se reporta a Gino Azzolini, secretário geral da prefeitura. Mas os assuntos de interesse são discutidos por todos e o que a maioria decidir está feito.
F:Esta comissão trabalha a favor da terceirização. Porque ela é a melhor opção?
C:Primeiro, a prefeitura não pode mais ficar cuidando do autódromo, que nem lucro vem tendo. Segundo, o ideal é uma pessoa ou um grupo à frente do autódromo, para que o mesmo possa ser administrado como uma empresa. Agora, não é como muita gente vem pensando, que quem assumir vai fazer o que quizer. Esta pessoas ou empresa terá que cumprir metas estipuladas no contrato, como repassar dez por cento do lucro ao município, a construção de três arquibancadas (o público tem direito a uma boa acomodação, principalmente aquele que vem com a família), arborização do circuito, além de atividades educativas (trânsito, visitas de alunos) e sociais. Com isso, todos saem ganhando.
F:Porque a comissão tem recebido críticas de um grupo de pilotos e até mesmo do ex-diretor do autódromo, Onéssimo Francisco de Assis?
C:Isso tudo é interesse de cartolas estaduais e federais, além de ciúmes. Por causa da briga do Nelson Piquet com a diretoria da CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo), eles acharam que se o piloto fosse entrar na briga pelo autódromo, a cidade seria prejudicada. Não dá para dizer quem vai assumir. Quando a licitação for aberta, vence quem tiver a melhor proposta. Os pilotos da Speed, principalmente, que sempre estão reclamando, foram incitados por gente que gosta de falar pelas costas, mas não aparece. E tem mais: o que estes pilotos fizeram de produtivo até agora para o autódromo e para eles mesmo, a não ser reclamar?
F:Surgiu um boato de que a Reifor poderia ser uma das empresas interessadas na terceirização. É verdade?
C:Falei com o Maurício (Garcia Cid, diretor da Reifor) recentemente pelo que sei, ainda não existe ninguém interessado, até porque ainda não saiu o edital de licitação. Agora, seria interessante um grupo de Londrina terceirizar o autódromo, pois o contato seria mais fácil. Queremos deixar bem claro que a comissão não tem interesse em indicar ou vetar ninguém. Aceitamos o convite do prefeito porque somos amantes do automobilismo e, como tal, queremos que nosso autódromo esteja em boas mãos e sempre em boas condições de uso.
F:Enquanto não sai a terceirização, como ficam os planos para a temporada 98?
C:Vamos negociar as provas, mas dentro do que achamos justo. Até o ano passado, nas corridas nacionais, o cobrado era R$ 4 mil. Na Fiat Turismo, por exemplo, enquanto outros autódromos chegavam a cobrar taxa de R$ 40 mil, nós praticamente dávamos de graça. Agora isso tem que mudar. Já nas disputas estaduais vamos tentar motivar o público com brindes.
F:Não seria possível fumar o cachimbo da paz com os pilotos e pessoas que vem criticando a comissão?
C:A única solução é um grupo assumir logo o autódromo e começar a trabalhar. Aí acaba tudo isso.


