Ohringen - A julgar pela pouca expectativa que despertavam, os australianos têm sido a surpresa deste Mundial. Quem poderia imaginar que, após a primeira rodada, eles seriam líderes de um grupo com Brasil, Croácia e Japão? No calor dos acontecimentos, vale até quebrar o protocolo.
  Ontem, o técnico Guus Hiddink mandou abrir os portões do TSG Éhringen ao público que se aglomerava para assistir ao treino. Mais surpreendente do que driblar a rigidez da Fifa, só mesmo as declarações de Jason Culina sobre Ronaldo, um exemplo de ousadia e de como levam a sério o ‘‘slogan’’ ‘‘Bound for glory’’ (Destinados à glória), exposto no ônibus da delegação.
  ‘‘Nós lhe devemos o respeito que merece, mas não muito’’, respondeu Culina, ao ser perguntado sobre como lidar com o atacante. ‘‘Ele é sempre perigoso, assim como os outros jogadores. Mas não foi bem no primeiro jogo, recebeu críticas e tem algo a provar.’’
  As palavras de Culina, um homem-chave na estratégia de Hiddink para conter o ‘‘quadrado mágico’’, podem não resumir o pensamento de todo o time, mas refletem a confiança que, antes de desembarcarem na Alemanha, se tinham, os australianos guardavam para si. Ronaldo anda meio engasgado entre eles. Há três meses, o atacante brasileiro foi capa da revista ‘‘Alpha Magazine’’, da Austrália, depois de declarar numa entrevista que o único jogador que conhecia era ‘‘aquele que joga na Espanha’’, referindo-se a John Aloisi, do Alavés. A manchete ‘‘Insulto’’ resume o quanto repercutiu mal.
  A dúvida sobre a estratégia de Hiddink persiste. Em conversa com jornalistas australianos, o holandês voltou a admitir que pode poupar Moore, Grella, Cahill e Aloisi, que receberam cartão amarelo contra o Japão e, caso sejam advertidos diante do Brasil, estariam suspensos do confronto contra a Croácia, no dia 22, que deve decidir uma das duas vagas às oitavas-de-final. (Agência O Globo)

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