Agência Estado
De São Paulo
A cerca de um ano para a Olimpíada de Sidney, a natação já tem um favorito absoluto: o australiano Ian Thorpe, de 16 anos, que já quebrou dois recordes mundiais nos Jogos Pan-Pacíficos, disputados em Sidney. Ontem, o nadador-prodígio fez a melhor marca dos 200 metros, livre, na semifinal, com 1m46s34. No domingo, ele se tornara o novo recordista mundial do 400 m, livre, com 3m41s83.
A sul-africana Penny Heyns foi outro destaque de ontem no Pan-Pacífico. - Ela melhorou o próprio recorde mundial nos 100 m, peito, baixando o tempo de 1m6s67 para 1min6s52. É o quinto recorde mundial de Penny em cinco meses. A norte-americana Jenny Thompson bateu o recorde dos 100 m, borboleta, o segundo mais antigo da natação. Ela terminou a prova em 57s88, superando sua compatriota Mary Meagher, que sustentou a melhor marca durante 18 anos.
Thorpe está sendo considerado o novo fenômeno da natação pela imprensa esportiva e técnicos de todo o mundo. Para o treinador da equipe australiana, Don Talbot, a ascenção de Thorpe ‘‘pode ser o início de uma nova era’’ na natação. O adolescente, porém, não é o único concorrente de peso que os nadadores brasileiros vão encontrar na Austrália durante a Olimpíada. O também australiano Grant Hacket - dono do recorde anterior dos 200 m, livre, com 1m46s67 - é outro forte candidato ao ouro em Sidney.
Mas qual a razão dessa supremacia australiana nas piscinas? Para Alberto Klar, integrante da comissão técnica da equipe brasileira de natação, o caso de Thorpe deve ser dicutido separadamente. ‘‘Ele tem o diferencial do talento, o que independe de qualquer tipo de previsão’’, diz Klar. ‘‘Mas não acredito que a natação australiana esteja num nível técnico tão superior assim.’’
Na opinião do treinador, há um fator essencial que torna
a Austrália um dos grandes adversários do Brasil: o investimento. ‘‘Se não estou enganado, eles investem por ano em esporte algo em torno de US$ 198 milhões’’, informa. ‘‘Esse é o nosso maior adversário: a união da máquina humana com a infra-estrutura.’’
Segundo Klar, por trás dos expressivos resultados da equipe australiana, há muito estudo e pesquisa, uma verdadeira ‘‘ciência do corpo’’. ‘‘A última vez que participei de uma competição em que havia australianos, o número de pessoas do staff era quase o mesmo de atletas’’, lembra o treinador.
Para ele, é possível fazer um paralelo da natação australiana com o futebol brasileiro. ‘‘Somos os melhores do mundo no futebol porque investimos muito; se for feito o mesmo na natação, os resultados serão os mesmos’’, analisa.

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