Kaiserslautern - O chilique que o apoiador Nakata deu após o jogo amistoso contra Malta, domingo passado, tinha fundamento. Ontem aconteceu a mesma falha e logo na estréia na Copa do Mundo, considerado um jogo-chave para as duas seleções estreantes. O Japão foi atropelado pela Austrália, que depois de estar perdendo por 1 a 0 com um gol irregular virou para 3 a 1 de forma espetacular, deixando em delírio a sua grande torcida que ajudou a lotar o Estádio Fritz-Walker.
Com dois times jogando sob uma temperatura de 38 graus centígrados no gramado, no limite extremo de sua resistência física, acabou vencendo a equipe de maior porte atlético e com mais determinação. O Japão, mais uma vez, decepcionou ao não saber manter um placar favorável porque esbarrou na sua falta de poder ofensivo para concluir as jogadas e principalmente pareceu ter subestimado a Austrália, achando que poderia resolver a partida em qualquer lance.
A Austrália mostrou sua força e experiência desde o começo. Jogo equilibrado e disputado, o Japão começou a reagir aos 12 quando Fukunishi mando uma bola por cima do gol de Schwarzer. A comportadíssima torcida japonesa, sentindo que a equipe subia de produção também equilibrou o jogo na arquibancada. E aos gritos de nipon, nipon, a seleção japonesa conseguiu o gol aos 26 minutos, logo após ter levado um susto numa boa jogada de ataque de Bresciano e Viduca que parou em Kawaguchi.
Por sinal, foi assim, com goleiro parando que o Japão marcou. Nakamura centrou da direita, Takahara fez falta em Schwarzer e o juiz ignorou a falta clara no jogador australiano.
A esta altura, time e torcida da Austrália estavam em pé de guerra. Os jogadores, atendendo aos gritos de ''aussie, aussie'', se esforçavam tanto que no fim do primeiro tempo alguns já estavam exaustos. E foi esse o maior pecado do Japão, não ter aproveitado o cansaço físico e mental do adversário.
Porque no segundo tempo, empurrado pela torcida azul, o Japão até os 20 minutos dominou e perdeu chances valiosas de fechar o caixão, desperdiçando por imaturidade ou excesso de preciosismo. A partir dos 22, na base do no peito e na raça, a Austrália começou a se impor. O técnico Guus Kiddink mandou o time para a frente vez, fazendo alterações eficientes. Aos 38, Aloisi bateu falta com violência e Kawaguchi fez outa bela defesa. No lateral batido pela Austrália na sequência do lance, ele saiu mal na pequena área e após bate-rebate a bola sobrou para Cahill começar a se candidatar como herói australiano da vez.
O empate desestabilizou a equipe japonesa de vez. A ponto de Zico ter posto Moniwa no lugar de Tsuboi, machucado, e depois tirá-lo para a entrada de Oguro. Atordoada e pressionada, a equipe japonesa levou o segundo gol aos 43 minutos, num belíssimo e indefensável chute de Cahill. O golpe final veio aos 47, quando o experiente Aloisi driblou Komano com facilidade e fez 3 a 1.


JAPÃO 1

Kawaguchi, Komano, Tsuboi (Moniwa, depois Oguro), Fukunishi e Alex; Miyamoto, Nakazawa, Nakamura e Nakata; Takahara e Yanagisawa (Ono). Técnico: Zico

AUSTRÁLIA 3

Schwarzer, Neill, Moore (Kennedy), Emerton e Chippefield; Grella, Culina, Wilkshire (Aloisi), Cahill e Bresciano (Cah; Viduka. Técnico: Guus Hiddink

Árbitro: Essam El Fatah (EGI)
Estádio: Fritz Walter Stadion, em Kaiserslautern
Gols: Nakamura, aos 26 minutos do 1º tempo; Cahill, aos 39 e aos 44, Aloisi, aos 47 minutos do 2º tempo

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