Aurélio Miguel quer vender terreno para treinar no Japão
São Paulo, 14 (AE) - O judoca Aurélio Miguel, medalha de ouro na Olimpíada de Seul, em 1988, e bronze em Atlanta, em 1996, desistiu de participar das seletivas para os Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, que serão disputados em julho e agosto, por não ter patrocinador. Para tentar conquistar o único grande título que ainda lhe falta o de campeão mundial adulto
, o lutador colocou um terreno à venda para obter recursos para fazer um estágio de treinamento, ainda este mês, no Japão.
"O treino no Japão me deixa muito mais confiante", diz o atleta, de 35 anos, que já fez mais de 20 estágios em universidades japonesas. "Sem o dinheiro da venda do terreno, porém, é impossível arcar com as despesas." Aurélio sonhava construir uma academia de judô no terreno. Os planos, no entanto
estão provisoriamente adiados. "Na altura da minha vida não posso tirar dinheiro da minha família para gastar em treinos", comenta Aurélio, que tem uma loja de equipamentos esportivos, a Interesporte.
"O patrocínio é fundamental porque só com tranquilidade financeira o atleta consegue render tudo o que pode." Como exemplo, Aurélio Miguel, pai de dois filhos, cita o cestinha Oscar, que, aos 41 anos, ainda brilha como o melhor jogador brasileiro de basquete. "Ele tem talento e ama o esporte que faz", lembra o judoca. "O Mão Santa tem, porém, todas as condições de treinar e de jogar com tranquilidade."
Mesmo se não vender o terreno e não conseguir fazer o estágio no Japão, Aurélio garante que se esforçará o máximo para conquistar a medalha de ouro no Campeonato Mundial de Birmigham, em outubro, na Inglaterra. "Considero um estágio no Japão como a preparação mais adequada", diz. "Mas se não for para lá, vou treinar duro do mesmo jeito para chegar na Inglaterra em condições de ser o primeiro."
Aurélio Miguel é considerado o melhor judoca do Brasil de todos os tempos. Apesar de ter sofrido vários problemas físicos, o judoca tem três medalhas em Campeonatos Mundiais Adultos, além das duas medalhas olímpicas: foi prata em Hamilton, no Canadá, em 1993, e em Paris, na França, em 1997. Em 1987, em Essen, na Alemanha, o brasileiro ficou com o bronze.
Sem memória - Nos últimos meses, Aurélio Miguel foi convidado a participar de vários programas de TV e em todas as suas participações reclamou da falta de patrocínio. Ele entrou em contato com várias empresas, inutilmente. "É uma situação difícil", constata. "Em outro país, pelo que já fiz, teria todo o apoio necessário para continuar lutando e ganhando medalhas."





