Aurélio agora luta contra o tempo para ir a Sydney
São Paulo, 14 (AE) - O judoca Aurélio Miguel, que estava concentrado nos seu projeto de buscar a terceira medalha olímpica nos Jogos de Sydney, em setembro, terá agora de iniciar uma outra luta - por sua saúde e recuperação física, em seis meses, a tempo de não ver frustrado o sonho de ir à Olimpíada. Aurélio sofreu uma lesão grave no joelho direito, na sexta-feira
e terá de ser submetido a uma cirurgia marcada para amanhã, às 14 horas, no Hospital Albert Einstein. O ortopedista e ex-judoca Wagner Castropil, responsável pela operação, explicou que fará a reconstrução do ligamento cruzado anterior e o tratamento das lesões de menisco e cartilagem no joelho direito do atleta.
"Judiação, eu estava tão bem", lamentou Aurélio, falando baixo e mexendo a cabeça, hoje, entre uma pergunta e outra. O judoca reuniu a imprensa, em São Paulo, para anunciar a sua cirurgia e a decisão de tentar apressar a sua recuperação que, normalmente, para esse tipo de intervenção, demoraria, no mínimo
seis meses. "Já ganhei luta faltando 8 segundos para o fim, já perdi medalha olímpica faltando 20 segundos para o fim", disse Aurélio. "Sydney não acabou ainda para mim, a Olimpíada será em sete meses e eu vou ajudar minha recuperação com a cabeça, vou fazer o que for possível, hipnose, se precisar, tudo o que precisar."
O judoca, da categoria meio-pesado, que fará 36 anos no dia 10 de março, já comunicou sobre sua cirurgia e disposição de continuar lutando pela vaga olímpica ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Pediu à entidade mais prazo para disputar a seletiva. O judoca está pré-classificado e a segunda e última seletiva brasileira será na primeira quinzena de junho, no Rio.
Sentado no sofá, com a perna direita esticada e o joelho inchado, afirmou que não pretende conversar com a Confederação Brasileira de Judô (CBJ) sobre o pedido de prorrogação do prazo para a seletiva. "Não estou preocupado com o que a CBJ faça ou deixe de fazer, a chancela é do COB."
O médico Wagner Castropil afirma que a cirurgia é parecida com a que fez Raí, do São Paulo - o jogador demorou oito meses para retornar ao futebol. Admite que a recuperação rápida será um desafio extra para Aurélio. "Para não ter dor, ficar com o joeho estável e movimentos normais e com uma força de 90% igual a do outro joelho seriam precisos seis meses", disse Wagner. "Mas vamos tentar encurtar a reabilitação."
Tatame barato - O médico não esconde que o tatame improvisado no Projeto Futuro, no Ibirapuera, pode ter contribuído para a lesão de Aurélio. "É o mesmo que um jogador de futebol treinar em um campo esburacado", comparou. O tatame do local é feito de raspas de pneus coberto por lona. "Afunda o pé e tem deformações, mas a lesão poderia ocorrer em um tatame bom."
O tatame sintético, que segue os padrões internacionais, e que estava no Ibirapuera foi retirado, em setembro, pela Federação Paulista de Judô. Segundo a entidade, o local não tinha um tablado de madeira e os tatames estavam estragando com a umidade. Dos 90 tatames, a Federação perdeu 30, segundo o assessor José Jantália. Os tatames foram transferidos para o Centro de Aperfeiçoamento Técnico e Treinamento, em Perdizes.





