Aumento do dólar gera ansiedade no Nacional
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 1999
Claudemir Scalone 
A rápida desvalorização do real e o aumento desenfreado do dólar trouxeram um futuro incerto ao Nacional de Rolândia, equipe da Série A-2 do Paraná. Patrocinado pela multinacional chinesa Milli Boss, que detém 99% do controle acionário do clube, o time rolandense deverá perder boa parte dos recursos financeiros destinados ao futebol profissional. A Milli Boss trabalha com a importação de produtos da China para o Brasil, e a crise brasileira fez a empresa redirecionar os investimentos no País, explica Sérgio Cagliote, responsável pelo setor administrativo do Nacional.
Cagliote nega que a empresa vá retirar seu patrocínio do Nacional. Só se ela romper o contrato firmado com o presidente do clube, José Antônio Martins (empresário paulista que tem 1% de participação no clube), diz ele. Na verdade, os empresários chineses (Wang Li Xin e Guey Chien) pensam em investir mais nas categorias de base, onde o custo/benefício é maior, completa. Enquanto a Milli Boss não define os cortes que fará, José Antônio Martins vem arcando sozinho com os custos da equipe.
A parceria Nacional/Milli Boss, cuja sede fica em Hong Kong, começou em setembro do 1997. Este ano foi criado o Nacional Atlético Clube Sociedade Civil Limitada, com base na Lei Pelé. A Milli Boss investiu R$ 45 mil mensais ano passado na manutenção das três categorias do clube (profissional, júnior e juvenil). Como resultado, o Nacional sagrou-se campeão da Série A-3. Durante a competição, a equipe de Rolândia chegou a acumular dez vitórias seguidas.
A parceria possibilitou ainda a exportação de nove atletas do time profissional para China, entre eles o goleiro Marcelo, o zagueiro Nogueira e os meias Sandro e Mazinho. Estes jogadores devem retornar a Rolândia no dia 18, mas não terão condições de participar da primeira rodada da Série A-2, no dia 21, contra a Portuguesa Londrinense, lamenta Cagliote.
Com a vinda dos reforços chineses, o Nacional terá praticamente a mesma base do ano passado. Os ausentes são o atacante Calmon e o zagueiro Edilson, além do técnico Itamar Bernardes. O time, cuja média de idade é de 22 anos, contratou o técnico Benedito Souza Miranda (ex-Matsubara) e fez apenas um amistoso este ano - empatou em 1 a 1 com o Matsubara, em Cambará. Hoje, o time faz um jogo-treino contra o Apucarana, no Estádio Bom Jesus da Lapa, às 16 horas.


