Aulas com um mito do hipismo mundial
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Luciano Balarotti<br>Equipe da Folha 
Cavaleiro vencedor de mais de 150 Grandes Prêmios de saltos na Europa, campeão europeu e bi-campeão dos Jogos Pan-Americanos. A carreira vitoriosa de Nelson Pessoa mostra porque ele é a principal referência do hipismo brasileiro. Pai e incentivador do campeão olímpico Rodrigo Pessoa, Nelson estará até amanhã em Curitiba, ensinando técnicas de equitação a 30 cavaleiros e amazonas da Sociedade Hípica Paranaense, além de acompanhar a prova final do ranking estadual.
Afastado das competições, atualmente Nelson Pessoa viaja o mundo ministrando clínicas e não esconde a alegria de voltar ao Brasil - reside na Bélgica há 48 anos. ''É uma satisfação porque faço cem dias de clínica por ano em todo o mundo e agora tenho feito no Brasil, que é o meu país, onde falo minha língua e vejo meus amigos'', destaca.
O cavaleiro elogia os atletas locais e o nível técnico dos participantes da clínica. ''Os brasileiros têm talento para montar, são apaixonados por cavalos e têm boas chances de se tornarem grandes cavaleiros. O Brasil está entre os líderes do esporte equestre no mundo'', complementa.
Nas aulas, Pessoa procura passar sua experiência para melhorar a técnica dos alunos, no que ele considera a continuação de sua carreira. ''Sempre procurei aprender e me aperfeiçoar já que eu não pretendia me desligar do esporte quando parasse de montar e sempre quis fazer esta conversão para o ensinamento''. Para transmitir seus conhecimentos, o cavaleiro realiza as aulas em pistas fechadas, que exigem maior técnica de quem monta. ''Na pista indoor os cavalos não se distraem e os cavaleiros também. Como é mais difícil montar em recinto pequeno, o aprendizado é melhor. Quando os alunos saem para a pista externa, eles têm maior facilidade, porque os cavalos ficam mais dominados'', resume.
Respeitado mundialmente, Pessoa considera positivo o surgimento de casos de doping no esporte, que por um lado garantiram a seu filho Rodrigo o ouro olímpico em Atenas-2004, mas por outro o desclassificaram dos Jogos de Pequim, este ano. ''Em nenhum dos casos os cavalos receberam substâncias que melhoravam o rendimento. Isso foi útil para a federação internacional criar uma comissão para definir uma tolerância nos exames, que hoje é zero. O cavalo do Rodrigo, por exemplo, foi contaminado por utilizar a mesma máquina de gelo que outro cavalo, que estava machucado e não competiu na Olimpíada'', conclui.


