São Paulo - Quando tinha seis anos, o curitibano Augusto Farfus Jr. começou a andar de kart. Aos oito, pasou a competir e sonhar em ser piloto de Fórmula 1. Quando tinha 17, em 2000, traçou todos os planos para chegar à categoria máxima do automobilismo em 2005. Hoje, aos 20, ele garante que está bem próximo de realizar o sonho: acaba de se tornar o campeão da Fórmula 3000 Européia, com uma corrida de antecipação, e segue fazendo contatos na F-1.
''Meu objetivo sempre foi chegar à Fórmula 1, mas com muita calma. Tracei os planos de chegar à categoria, então ainda tenho um ano de bônus. Quero chegar lá, mas com muita calma. Não quero errar como fizeram outros pliotos, que foram para a Fórmula 1, ficaram um ano e depois voltaram para casa. O que quero é fazer 12, 15 temporadas'', diz com convicção o garoto, que mora na Itália.
Em 2002, Augusto foi o nono colocado na F-3000 Européia. Deu um salto para o título em apenas uma temporada. ''O ano passado foi para a gente fazer experiências e ajeitar os passos para 2003. Este ano está maravilhoso, com tudo dando certo. Procuro dar sempre 200% do rendimento, e acho que faltou corrigir alguns detalhes, mas tudo foi muito bom'', analisa.
Morando na Itália, Augusto enumera as possibilidades para 2004: ''Tenho vários convites, mas nada confirmado. Na Fórmula 1, tenho convites para ser piloto e piloto de testes. Também fui convidado para correr nos Estados Unidos e na DTM (a principal categoria do turismo mundial). São várias portas, mas tenho que escolher a certa para chegar até a Fórmula 1 com bases sólidas. Tenho de pensar no hoje, amanhã e depois de amanhã.''
O que o piloto mais está evitando é ansiedade na hora da escolha. ''O importante é colocar as coisas na balança e saber que isso é um jogo de xadrez, sempre pensando na próxima jogada. Pensar em Fórmula 1 certamente mexe com a minha parte instintiva, mas estou resistindo porque nem sempre agir por instinto dá certo. Tenho 20 anos, tenho de achar uma oportunidade para mostrar meu potencial. Qualquer passo errado pode acabar com minha carreira de 12 anos.''
Seguro, Augusto já mostrou que é. Mas fora das pistas, o garoto ainda tem uma receita para chegar ao sucesso: ''Não basta ser um piloto vencedor para se dar bem. O piloto completo é aquele que sabe se relacionar, é marketeiro e fala vários idiomas (ele fala inglês, italiano, português e ''arranha'' francês). Sei que é muito importante deitar a cabeça no travessei com o sentimento de dever cumprido. E eu tenho feito isso.''

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