A dissolução da seleção brasileira permanente de ginástica rítmica (GR) e os problemas enfrentados pela modalidade serão debatidos amanhã, a partir das 10 horas, durante uma audiência pública, a ser realizada na Câmara Municipal de Londrina, com a participação de ex-atletas e seus familiares, técnicas, dirigentes, além de profissionais envolvidos com o esporte. Antes, a partir das 9 horas, será realizada uma carreata, com saída do campus Piza da Universidade Norte do Paraná (Unopar), que por mais de dez anos foi sede da seleção brasileira.
A decisão de realizar a carreata e a audiência pública foi tomada ontem pela manhã durante reunião realizada na Unopar, que contou com a presença de pais de atletas e pessoas ligadas ao esporte, entre outros.
A ex-técnica da seleção brasileira de GR, Bárbara Laffranchi, explica que os pais decidiram se mobilizar por causa da preocupação com o futuro da modalidade. ''Não podemos ficar calados frente ao que está ocorrendo. A ginástica rítmica pode morrer se nada for feito'', comentou.
As pessoas ligadas à ginástica rítmica apontam que os recursos repassados para a modalidade são insuficientes para seu desenvolvimento. Elas reclamam que a Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) estaria dando mais atenção à ginástica artística. ''Os recursos para a ginástica aumentaram depois das conquistas da GR no Pan-Americano de Winnipeg (em 1999). Antes, a ginástica não tinha a devida atenção do Comitê Olímpico Brasileiro'', recorda o professor José Carlos Rodrigues Pereira, cuja filha de 9 anos, Ellen, pratica o esporte há três.
A empresária Yda Katsumi Masaki Pozza, mãe da ex-ginasta Jeniffer Pozza, diz que se emocionou durante a reunião quando lembrou do período em que a filha e as amigas praticavam o esporte e, principalmente, da ocasião em que todas foram surpreendidas pelo anúncio da extinção da seleção permanente. ''Minha filha estava na seleção há dois meses e vinha evoluindo. Foi uma decepção muito grande para todos o fim da seleção. Ela (Jeniffer) tinha o sonho de disputar uma Olimpíada depois de oito anos de dedicação ao esporte'', recorda a empresária.
O engenheiro civil Wilson Miguel Santini defende a transparência na prestação de contas da CBG motivo que levou ao afastamento da presidente da entidade, Vicélia Florenzano. ''O repasse dos recursos deveria ser igual entre a ginástica rítmica e a artística. Se a verba fosse dividida igualmente, a GR seria muito mais forte'', ressaltou.
Por causa do fim da seleção permanente e, por consequência, das equipes juvenil e adulta da Unopar, sua filha Camila se mudou para Toledo onde defende a equipe da Sadia. ''Foi uma mudança complicada para toda a família. A Camila tinha somente 13 anos quando foi convidada a se mudar. Se a seleção tivesse continuado em Londrina, ela poderia estar aqui'', lamentou Santini. Praticante da GR desde os 4 anos, Camila tem vários títulos em sua carreira.

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