Lausanne, Suíça - As obras das instalações esportivas na região de Deodoro no Rio de Janeiro estão dois anos atrasadas. Quem faz o alerta é o dirigente nomeado pelo Comitê Olímpico Interncional (COI), Gilbert Felli, para monitorar a preparação do Rio para os Jogos Olímpicos de 2016.
Em declarações à reportagem, Felli deixou claro que os atrasos são reais. "Claro que existem atrasos. Deodoro está dois anos atrasado", indicou o dirigente nas primeiras declarações feitas depois que o COI optou por fazer uma intervenção no Rio.
No mês passado, Felli foi nomeado pelo COI como uma espécie de interventor para o evento no Rio de Janeiro, diante do caos na organização do evento e da preocupação cada vez maior por parte das federações esportivas internacionais. Felli alertou ainda que um dos riscos é o fato de que responsabilidades por certas obras tem passado das mãos de uma esfera do governo a outra. "Isso foi um obstáculo".
Outro ponto delicado, segundo ele, seria os atrasos na elaboração do orçamento. Mas insiste que há ainda como recolocar o Rio em dia. "Temos de fazer funcionar", indicou. "Vamos trabalhar para isso". Felli participou ontem de um evento ao lado do secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, para debater o impacto dos eventos esportivos no Brasil.
Nesta semana, o jornal "O Estado de São Paulo" revelou que fontes dentro do COI apontam que apenas 10% das obras para os Jogos de 2016 estão concluídas. Dois anos antes dos Jogos de 2012 em Londres, a taxa era de 60%.
Apesar do alerta feito por Felli, o prefeito Eduardo Paes e o Comitê Rio 2016 sustentam que o cronograma está em dia. Os detalhes sobre os atrasos são considerados segredo de Estado. Em agosto de 2013, depois do periódico publicar informes do COI que revelavam uma série de problemas no Rio, a entidade passou a registrar as cópias de seus documentos com códigos. Assim, caso um novo informe chegue à imprensa, o autor do vazamento poderá ser identificado.

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