ATRÁS DE DINHEIRO - Vôlei feminino pode ficar fora da Liga
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de maio de 2004
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
A equipe feminina do Londrina Vôlei Clube (LVC) está com a participação na Liga Nacional 2004 ameaçada pela falta de dinheiro. O prazo de inscrição dado pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) venceu na sexta-feira, mas a entidade abriu uma brecha para que a equipe londrinense responda no início desta semana se irá participar.
Segundo o técnico Carlos Alberto Hipólito, o Beto, seriam necessários aproximadamente R$ 12 mil para cobrir as despesas da primeira fase da segunda divisão do vôlei nacional. Nesta etapa, que será realizada em Curitiba, o LVC ficaria no Grupo do Sul, com equipes de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A partir da fase seguinte, as equipes classificadas têm as despesas pagas pela CBV. O campeão e o vice garantem vaga na Superliga.
A definição depende de uma decisão da Fundação de Esportes de Londrina (FEL) e de alguns possíveis patrocinadores. De acordo com Beto, a FEL estuda a possibilidade de fazer um aditivo de R$ 12 mil, na verba repassada ao clube. Anualmente, o LVC recebe R$ 85 mil para os trabalhos do adulto e do juvenil, repassados através do Fundo de Incentivo ao Esporte. ''O valor é baixo e nós não temos um patrocinador externo'', lamentou o treinador.
Tradicional celeiro de jogadoras entre as atletas reveladas em Londrina estão a líbera Veridiana e a ponta Mariane, campeãs da Superliga pelo Finasa/Osasco, e Elisângela, oposta do Rexona , o LVC não consegue manter as revelações. Por não poder cobrir as tentadoras ofertas dos grandes clubes do País e de fora, o técnico é obrigado a mudar a base a cada ano.
''Do time de 2003, 70% das atletas foram embora. Não tivemos como segurar. O que ajuda é que temos um trabalho de base bem forte'', comenta Beto.
As atletas recebem apenas uma ajuda de custo, que não passa dos R$ 400. Muitas delas trabalham durante o dia para complementar a renda. Outras estudam com bolsas conseguidas através do LVC. ''Hoje no Brasil, as faculdades montam times. Aqui em Londrina, que tem potencial, isso não acontece. Meu objetivo é disputar a Liga, que é uma vitrine e posso conseguir uma equipe maior. Eu gosto de jogar, mas, quando eu terminar a faculdade, se eu conseguir um emprego que não dê para continuar, vou parar'', afirmou a meio-de-rede Wanessa, de 23 anos, que está no terceiro ano de Fisioterapia e começou a jogar vôlei na escolinha do LVC.
Além da Liga, o calendário da equipe ainda inclui o Campeonato Paranaense que tem mais três etapas a serem disputadas, e os Jogos Abertos do Paraná (JAPs), competição na qual é tetracampeã. O LVC teria ainda os Jogos Abertos Brasileiros para disputar representando o Paraná, na cidade gaúcha de Bento Gonçalves, que começam no próximo dia 21. Como a Paraná Esportes decidiu não pagar as despesas, a equipe resolveu não participar. O mesmo aconteceu com as equipes de basquete masculino e feminino e handebol masculino.


