Num momento em que só se fala de esportes no Brasil, por conta da realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas nos próximos três anos, em Londrina algumas modalidades sofrem para se manter vivas. O corte de 30% na verba pública de todos os projetos, somado à falta de apoio da iniciativa privada, coloca em xeque o futuro de modalidades que já revelaram centenas de atletas de destaque para o cenário nacional.
Um exemplo é a equipe de atletismo, que há 12 anos não só forma atletas como exerce um trabalho social fundamental para a sociedade. O técnico Gilberto Miranda e o presidente do Instituto de Esporte e Cultura de Londrina, mantenedor do atletismo local, Fernando Donatan, escancararam em entrevista à FOLHA a difícil realidade pela qual passa a equipe campeã de dois brasileiros menores e única fora do eixo Rio-São Paulo a colocar dois atletas nas Olimpíadas de Londres, em 2012 – Lucimar Teodoro e José Carlos Moreira, o Codó.
Em 2013 o trabalho já começou, mas os treinadores ainda não sabem o que será da equipe. Já são três meses de treinos e não há uma garantia concreta de que será possível continuar. Isso tudo num ano que marca o início de um novo ciclo, para uma Olimpíada no Brasil, e no qual vários atletas tentam índices para disputar campeonatos internacionais, como o Mundial e o Pan-Americano de atletismo.
"A gente não sabe o que é pagamento desde outubro, a república onde moram hoje oito atletas estamos pagando do bolso, assim como o transporte, todos os dias nós (treinadores) é que vamos com os nossos próprios carros buscá-los para os treinos e depois levamos de volta", conta Miranda, um dos fundadores da equipe. Segundo ele, as despesas com a república são de R$ 2,5 mil/mês.
A principal queixa de Miranda é com a indefinição em torno da abertura do edital do Fundo Especial de Incentivo a Projetos Esportivos (Feipe). "Nos outros anos demorava também, mas a gente tinha uma previsão do que podia fazer, mas desta vez não temos isso. Agora só vou ter uma posição se vencer a concorrência. É complicado", reclama Miranda. Ao invés dos R$ 260 mil que a equipe recebeu nos últimos anos, este ano a previsão é que o Feipe reserve cerca de R$ 180 mil ao atletismo.
A nova diretoria da Fundação de Esportes de Londrina (FEL) alega que o edital já está pronto, mas precisa de uma última aprovação da Procuradoria Geral do Município para, enfim, ser aberto. Depois disso, os interessados terão 30 dias para apresentar seus projetos, o que pode retardar o pagamento da primeira parcela do convênio apenas para maio.
A demora para a publicação do edital (é bom lembrar que como se trata de um edital, o projeto ainda tem que ser aprovado) ainda trava a renovação do contrato com a Caixa Econômica Federal, que pede como garantia o projeto aprovado com a FEL para reafirmar o acordo, no valor de R$ 300 mil/ano. Assim, o único apoio garantido, porém somente a partir de abril, é o da Itamaraty, de R$ 30 mil/ano.
A bronca dos treinadores, no entanto, não é só com a Prefeitura. Eles reclamam também da falta de apoio da iniciativa privada. "Para você ter uma ideia, do ano passado para cá, fizemos contatos com mais de 100 empresas da região e apenas três nos deram respostas", reclama Miranda.
Diante do atual panorama, a ideia é manter apenas 50 atletas, com prioridade para os da base, na equipe para 2013. Alguns adultos, como Lucimar, Codó e Sheila Juvelino, já foram liberados para procurar novas equipes. No entanto, mais dispensas não estão descartadas. "A gente quer definir tudo isso até 15 de abril, caso contrário não tem como evitar debandada. Queremos continuar o projeto em Londrina, mas precisamos de uma definição", encerrou o treinador.

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