Atletismo luta para manter destaques
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sexta-feira, 06 de dezembro de 2013
Rafael Souza<br>Reportagem Local 
Terminada a temporada nas pistas, o foco da comissão técnica da equipe de atletismo Caixa/FEL/Oguido Dojo, de Londrina, se volta para os bastidores. Obrigados a atacar também como gestores, os treinadores correm contra o tempo para tentar melhorar as condições de estrutura para o próximo ano e segurar seus principais nomes.
Com uma estrutura bastante precária, o time sofre para manter seus principais destaques, a maioria oriunda do próprio projeto de formação. Com os grandes resultados alcançados nas duas últimas temporadas, o assédio em cima de nomes como Anderson Cordeiro, Aleksandro do Nascimento, Camila Aparecida de Souza, Wellington Silva Morais, Gabriel dos Santos, Thayra Francis e Tatiane Raquel da Silva aumentou consideravelmente.
A ideia do técnico Gilberto Miranda, que assumiu a coordenação após a saída de Eugênio Zaninelli, há pouco mais de um ano, é se aproximar dos bons exemplos das maiores equipes brasileiras, como as paulistas BM&F, Orcampi e Pinheiros, que contam com uma estrutura completa, contemplando parcerias com clínicas para exames físicos, instituições de ensino que fornecem bolsas de estudo, e uma equipe com profissionais multidisciplinares.
"Em resultados, temos uma das melhores equipes do Brasil, mas nossa estrutura é muito precária. Por exemplo, a Tatiane, qualquer atleta na prova dela vai treinar na altitude ao menos uma vez no ano e nós nunca conseguimos fazer isso. É uma situação que vai além do salário na maioria dos casos", observou Miranda. "Quero oferecer esse aporte como diferencial para que eles continuem em Londrina", continuou.
Até o momento, a equipe tem garantido apenas o patrocínio da Caixa para 2014, no valor de R$ 350 mil. A Fundação de Esportes de Londrina (FEL) também já sinalizou positivamente com a renovação do convênio, mas Miranda segue visitando empresas, apresentando propostas, sonhando ter condições de melhorar também os salários dos atletas. A meta é conseguir não só patrocínios para o grupo como também apoiadores individuais, que possibilitariam, por exemplo, manter José Carlos Moreira, o Codó, e Lucimar Teodoro, que foram às Olimpíadas de Londres-2012.
No quesito estrutura, Miranda fechou nesta semana parceria com o Colégio Sesi, que vai fornecer dez bolsas de estudos para o ensino médio. Sua meta agora é conseguir um laboratório, para exames físicos de rotina, e uma faculdade que lhe assegure mais bolsas para atletas adultos. A equipe já conta também com parceiros para planos de saúde e odontológico, e academia. Os atletas treinam na pista da UEL, que também vai passar por uma grande reforma em 2014.
Miranda, que já perdeu Marcello Augusto Marques, promessa dos 800 metros para o Pinheiros-SP, teme ver a história se repetir com Tatiane Raquel da Silva, atual campeã do Troféu Brasil nos 3.000 metros com barreiras, que tem proposta da Orcampi, de Campinas. "Ela é o caso do atleta que chega em um certo nível e quer melhorar resultado. Mas para melhorar resultados, precisa melhorar estrutura. Ela é um caso que a questão é estrutura", cita o treinador.
Cansado da falta de apoio, o treinador fez até um apelo. "Hoje, tenho pelo menos de três a quatro atletas com condições de estar em uma equipe brasileira olímpica, com grande destaque na mídia. Meu apelo é para o empresariado de Londrina, que olhe para esses jovens para que possamos segurá-los aqui e não perdermos, como já aconteceu tantas outras vezes", encerrou.


