A pista de atletismo da Universidade Estadual de Londrina (UEL) teve uma tarde de garimpo ontem. Crianças de sete escolas de Londrina, além de uma seleção de Assaí, com idade entre 11 e 15 anos, se reuniram para praticar e conhecer o atletismo no GP Caixa, competição organizada com o objetivo de descobrir novas joias do esporte.
A competição é realizada há anos pelo Projeto Londrina CAIXA de Atletismo e já revelou muitos talentos. Três medalhistas no Campeonato Brasileiro de Menores Interclubes da equipe Londrina/Caixa/FEL/Oguido de Atletismo, disputado no último final de semana, Anderson Cordeiro, Mariana Delfino Dias e Isadora Paschoal Olympio de Andrade foram descobertos em provas como esta. "Nossos principais atletas saíram de eventos como este. O projeto banca até o transporte das escolas até a pista. A gente investe para que haja uma participação em massa, porque sabemos que dá resultado", contou o coordenador do projeto e treinador, Gilberto Miranda.
O GP conta com provas de velocidade, lançamento, resistência e salto, disputas básicas, que não exigem técnica apurada. "Nosso objetivo é o primeiro contato, o conhecimento da modalidade e, dentro disso, escolhermos alguns destaques", disse o treinador.
Isadora, hoje com 15 anos, treinava vôlei e handebol três anos atrás até que seu treinador, Ney Inácio, disse a ela que seu talento era melhor empregado no atletismo, esporte que ela nunca havia tido contato. Ela não se destacou no festival de atletismo, mas os treinadores viram seu talento e a incentivaram a entrar para a equipe. Hoje ela é especialista no salto em altura e à distância. Anderson Cordeiro, considerado principal expoente da equipe atualmente, também participou da disputa sem brilho.
"O Anderson, quando participou, não ganhou a prova, mas foi escolhido pelo biotipo. Foi o olhar do treinador", contou Miranda, o dono desse olhar apurado.
Cheio de sonhos, o garotinho Alan Vieira Alves, 12 anos, era um dos mais empolgados. Aluno da sexta série do Colégio Estadual Professora Beahir Edna Mendonça, ele iria disputar os 600 metros. A empolgação virou apreensão ao ser informado pela reportagem que esta distância correspondia a uma volta e meia na pista. "Ô, louco. Uma volta e meia? Vixi!. Tem que correr pra caramba então? O jeito é botar um pouco mais de força, então", disparou, surpreso.
Ele, assim como a maioria das crianças que lá estavam, não haviam tido contato com o atletismo ainda. Se empolgou com a possibilidade de disputar o GP ao ser levado por uma professora junto com os colegas de turma para conhecer a pista da UEL dias atrás. Até contou que se preparou para ser visto. "Tenho que terminar em primeiro ou segundo. Eu vim aqui louco para ser chamado. Fiquei até trotando o dia inteiro devagarzinho para treinar", revelou o futuro fundista.
Sílvio Kaminise, o Kazu, é um dos professores do núcleo criado pelo projeto em Assaí em parceria com a Secretaria de Esportes do município. Ele aponta competições como o GP como primordiais para despertar o interesse da meninada. "É legal. Na nossa região não temos calendário de atletismo. Isso dá a oportunidade para os nossos atletas evoluírem e participarem de competições", afirmou.
Bárbara Isabelle Carvalheiro Maciel, de 13 anos, é um dos talentos que despontam por lá. Ela disputa provas de 250 metros e o salto em distância. "Comecei há um ano e já estou com boas marcas", apontou.

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